Transtorno do Espectro Autista: Sinais Precoces e Diagnóstico

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Acerca do transtorno do espectro autista (TEA), é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) A prevalência do TEA é em torno de 10% da população mundial, com maior prevalência no sexo feminino.
  2. B) Os sinais de alerta no primeiro ano de vida incluem anormalidades no controle motor, atraso no desenvolvimento motor, sensibilidade diminuída a recompensas sociais, baixo contato visual e pouca resposta ao chamado pelo nome.
  3. C) O M-CHAT-R/F (Modified Checklist for Autism in Toddlers) é um questionário de triagem que deve ser respondido pelos pais ou pelos cuidadores de crianças entre 6 e 12 meses de vida, em uma consulta de puericultura.
  4. D) Raramente indivíduos com TEA apresentam disfunções no processamento sensorial.
  5. E) Para o diagnóstico, é imprescindível a realização de ressonância magnética de crânio e eletroencefalograma.

Pérola Clínica

Sinais de alerta precoce TEA = ↓ contato visual + ↓ resposta ao nome + atraso motor.

Resumo-Chave

O diagnóstico de TEA é clínico, baseado em déficits na comunicação social e padrões repetitivos. Sinais motores e sensoriais são marcadores precoces frequentes.

Contexto Educacional

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades persistentes na comunicação e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. A prevalência global estimada é de cerca de 1% a 2%, sendo significativamente mais comum no sexo masculino (proporção de aproximadamente 4:1). O reconhecimento precoce é fundamental, pois intervenções terapêuticas iniciadas precocemente aproveitam a plasticidade cerebral e melhoram o prognóstico funcional a longo prazo. Na prática clínica, o médico deve estar atento não apenas aos marcos de linguagem, mas também ao desenvolvimento motor e sensorial. Disfunções no processamento sensorial (hipersensibilidade ou hipossensibilidade a estímulos) são agora reconhecidas como parte dos critérios diagnósticos. O manejo envolve uma equipe multidisciplinar e o suporte contínuo à família, focando na autonomia e qualidade de vida da criança.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para TEA no primeiro ano de vida?

Os sinais precoces incluem anormalidades no controle motor, atraso no desenvolvimento motor global, sensibilidade diminuída a recompensas sociais (como o sorriso social), baixo contato visual sustentado e pouca ou nenhuma resposta quando a criança é chamada pelo próprio nome. Esses sinais refletem desvios nas trajetórias típicas de desenvolvimento social e motor que podem ser observados por examinadores atentos antes mesmo dos atrasos de linguagem se tornarem evidentes.

Como deve ser utilizado o M-CHAT-R/F na prática clínica?

O M-CHAT-R/F (Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-Up) é uma ferramenta de triagem validada para crianças entre 16 e 30 meses de idade, e não entre 6 e 12 meses. Ele deve ser aplicado rotineiramente nas consultas de puericultura (geralmente aos 18 e 24 meses). O questionário é respondido pelos pais e, dependendo da pontuação, pode exigir uma entrevista de seguimento para reduzir falsos positivos antes de encaminhar para avaliação especializada.

Exames complementares são obrigatórios para o diagnóstico de TEA?

Não. O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista é estritamente clínico, fundamentado nos critérios do DSM-5 ou CID-11. Exames como Ressonância Magnética de crânio, Eletroencefalograma ou testes genéticos não são obrigatórios para fechar o diagnóstico, sendo reservados para casos onde há suspeita de crises convulsivas, síndromes genéticas específicas, macrocefalia progressiva ou outros sinais neurológicos focais associados.

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