ENARE/ENAMED — Prova 2025
Durante consulta de puericultura, a mãe de um lactente de 8 meses demonstra preocupação com o desenvolvimento psicomotor de sua filha, que é bem diferente do de outras crianças da mesma idade. Ela não responde ao olhar ou sons, faz movimentos repetitivos, tem dificuldade em aceitar novos alimentos e comportamento agitado. O pediatra corretamente:
Sinais de alerta TEA (contato visual ↓, estereotipias) → Aplicar M-CHAT-R/F.
O diagnóstico precoce do TEA é crucial. Ferramentas de rastreamento como o M-CHAT-R/F ajudam a identificar crianças que necessitam de avaliação especializada.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento. A plasticidade cerebral nos primeiros anos de vida torna a intervenção precoce o fator prognóstico mais importante para o ganho de autonomia e habilidades sociais. Na puericultura, o médico deve estar atento não apenas aos marcos motores, mas principalmente aos marcos do desenvolvimento socioemocional. O uso de instrumentos padronizados como o M-CHAT-R/F aumenta a sensibilidade da detecção em comparação com a vigilância clínica isolada. Ignorar as preocupações maternas ou atribuir atrasos à 'personalidade' da criança retarda o acesso a terapias baseadas em evidências, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA).
O M-CHAT-R/F (Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-Up) é uma ferramenta de rastreamento validada para identificar sinais de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele é recomendado para todas as crianças entre 16 e 30 meses de idade durante as consultas de rotina. No entanto, se houver preocupação dos pais ou sinais de alerta detectados pelo médico antes dessa idade, o rastreamento e a investigação devem ser iniciados imediatamente.
Os sinais precoces incluem: ausência ou redução do contato visual, não responder quando chamado pelo nome, ausência de sorriso social, não seguir objetos ou gestos apontados por outros, movimentos repetitivos (estereotipias), hipersensibilidade a sons ou texturas e dificuldades na transição alimentar. No caso clínico, a criança de 8 meses já apresenta falha na resposta ao olhar/sons e movimentos repetitivos, o que são red flags importantes.
Um resultado de risco no M-CHAT-R/F não confirma o diagnóstico de TEA, mas indica a necessidade urgente de uma avaliação diagnóstica detalhada por especialistas (neuropediatra ou psiquiatra infantil) e início imediato de intervenções terapêuticas (estimulação precoce). O pediatra deve acolher a família e encaminhar a criança para terapias multidisciplinares (fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia) enquanto o diagnóstico é processado.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo