UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente masculino, 40 anos, é atendido em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) por uma médica da Atenção Primária. O paciente é trazido à consulta por seu companheiro. Estão casados há 10 anos e possuem um filho de 7 anos. O cônjugue conta que seu companheiro é uma pessoa trabalhadora, gentil, ótimo marido e pai. Relata que apresenta baixa autoestima ("não sabe se valorizar", SIC), está sempre cansado, com sonolência excessiva, sem otimismo e que aumentou muito de peso nos últimos anos por consumo excessivo de carboidratos. O paciente confirma todas as informações e diz sentir-se assim, constantemente, há pelo menos três anos. Os sintomas, no entanto, não o impedem de trabalhar, ter uma vida social e familiar. Nega qualquer período de humor elevado na vida. Conta que seu pai sempre abusou de álcool, possui um primo que se suicidou e uma tia paterna já esteve internada em uma Unidade Psiquiátrica. Assinale a alternativa que indica o diagnóstico mais provável deste paciente:
Distimia (Transtorno Depressivo Persistente) = Humor deprimido crônico (>2 anos) + sintomas leves que não incapacitam totalmente.
O Transtorno Distímico, agora conhecido como Transtorno Depressivo Persistente, caracteriza-se por um humor deprimido na maior parte do tempo, por pelo menos dois anos (um ano em crianças/adolescentes), com sintomas depressivos mais leves que não atingem os critérios para um episódio depressivo maior, mas causam sofrimento significativo e prejuízo funcional. A cronicidade e a ausência de períodos de humor elevado são chaves diagnósticas.
O Transtorno Distímico, agora classificado como Transtorno Depressivo Persistente no DSM-5, é uma forma crônica de depressão caracterizada por um humor deprimido que dura a maior parte do dia, na maioria dos dias, por pelo menos dois anos (ou um ano em crianças e adolescentes). Diferente do Transtorno Depressivo Maior, os sintomas são geralmente menos intensos, mas a sua persistência prolongada causa sofrimento significativo e prejuízo funcional. Os sintomas comuns incluem baixa autoestima, fadiga, alterações de sono (insônia ou hipersonia), alterações de apetite (hipo ou hiperfagia), desesperança e dificuldade de concentração. É crucial que esses sintomas não tenham sido ausentes por mais de dois meses consecutivos durante o período de dois anos para o diagnóstico. A ausência de episódios maníacos ou hipomaníacos diferencia-o dos transtornos bipolares. O diagnóstico é clínico e a atenção primária desempenha um papel fundamental na identificação desses pacientes, que muitas vezes se queixam de "cansaço" ou "desânimo" crônicos. O tratamento envolve psicoterapia (especialmente terapia cognitivo-comportamental) e, em alguns casos, o uso de antidepressivos. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são essenciais para melhorar a qualidade de vida do paciente e prevenir a progressão para quadros depressivos maiores.
Os critérios incluem humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias, por pelo menos dois anos (um ano em crianças/adolescentes), acompanhado de pelo menos dois outros sintomas depressivos (ex: baixa autoestima, fadiga, alterações de sono/apetite), sem períodos de remissão por mais de dois meses.
A principal diferença é a cronicidade e a intensidade dos sintomas. No Transtorno Distímico, os sintomas são mais leves, mas persistentes por anos, enquanto no Transtorno Depressivo Maior, os sintomas são mais intensos e incapacitantes, ocorrendo em episódios distintos.
A história familiar de transtornos de humor, alcoolismo ou suicídio é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de transtornos depressivos, incluindo a distimia, e deve ser sempre investigada na anamnese psiquiátrica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo