Transtorno Disfórico Pré-Menstrual: Diagnóstico e Sintomas

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 23 anos, relata tristeza intensa, pois foi demitida devido a repetidas faltas no trabalho. Diz que, desde seus 22 anos, na maioria dos meses, sente uma mudança em ciclos, com um período de alguns dias de irritabilidade, labilidade, letargia, avidez por doce e uma ""sensação de inchaço"", que ocorrem quase todos os meses. Percebe que, logo após a menstruação, a ""vida volta a ficar leve e colorida"". Associa suas faltas ao trabalho a esses períodos de ""mudança do humor e inchaços"". Assinalar a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável:

Alternativas

  1. A) Dismenorreia.
  2. B) Transtorno ciclotímico.
  3. C) Transtorno de personalidade histriônica.
  4. D) Transtorno disfórico pré-menstrual.

Pérola Clínica

TDPM → Sintomas afetivos e físicos graves pré-menstruais, impactando funcionalidade, alívio pós-menstruação.

Resumo-Chave

O Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM) é uma forma grave da síndrome pré-menstrual, caracterizada por sintomas emocionais e físicos intensos que ocorrem na fase lútea do ciclo menstrual e remitem com a menstruação, causando prejuízo funcional significativo.

Contexto Educacional

O Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM) é uma condição psiquiátrica grave que afeta mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por uma constelação de sintomas afetivos e físicos intensos que ocorrem ciclicamente na fase lútea do ciclo menstrual e remitem com o início da menstruação. Diferente da Síndrome Pré-Menstrual (SPM) comum, o TDPM causa sofrimento clinicamente significativo e prejuízo funcional substancial, impactando a vida pessoal, social e profissional da mulher. A fisiopatologia exata do TDPM não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva uma sensibilidade anormal às flutuações hormonais do ciclo menstrual, particularmente aos esteroides ovarianos, que afetam os sistemas de neurotransmissores, como a serotonina. O diagnóstico é clínico e requer a documentação prospectiva dos sintomas por pelo menos dois ciclos menstruais, confirmando o padrão cíclico e a gravidade dos sintomas. Os sintomas incluem labilidade afetiva, irritabilidade, disforia, ansiedade, letargia, alterações do apetite, distúrbios do sono e sensação de inchaço. O tratamento do TDPM é multifacetado e pode incluir intervenções não farmacológicas, como mudanças no estilo de vida (exercício físico regular, dieta balanceada, redução de cafeína e álcool) e terapia cognitivo-comportamental. Farmacologicamente, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) são a primeira linha de tratamento, podendo ser administrados de forma contínua ou intermitente (apenas na fase lútea). Outras opções incluem contraceptivos orais combinados e, em casos refratários, agonistas do GnRH.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM)?

O TDPM requer a presença de pelo menos 5 sintomas (incluindo um afetivo principal como labilidade, irritabilidade, disforia ou ansiedade) na maioria dos ciclos menstruais, que iniciam na semana anterior à menstruação, melhoram após o início e estão ausentes na semana pós-menstruação, causando sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo funcional.

Como o TDPM se diferencia da Síndrome Pré-Menstrual (SPM) comum?

A principal diferença é a gravidade e o impacto funcional. Enquanto a SPM causa sintomas leves a moderados, o TDPM envolve sintomas afetivos e físicos graves que interferem significativamente nas atividades diárias, trabalho ou relacionamentos.

Quais são as opções de tratamento para o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual?

O tratamento pode incluir mudanças no estilo de vida (exercício, dieta), terapia cognitivo-comportamental (TCC) e, frequentemente, farmacoterapia, sendo os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) a primeira linha, administrados continuamente ou apenas na fase lútea.

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