HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2023
Sandra de 19 anos, queixa-se de intensa irritabilidade, alterações abruptas de humor e fome incontrolável nos 7 dias que antecedem cada menstruação. Tem ciclos menstruais mensais e regulares. Usa diafragma para contracepção. Não tem antecedentes mórbidos, pessoais ou familiares, relevantes. Qual é o tratamento mais adequado para o caso?
TDPM = sintomas graves pré-menstruais (irritabilidade, humor, fome). Tratamento de primeira linha são ISRS.
O Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM) é uma forma grave da síndrome pré-menstrual, caracterizada por sintomas emocionais e físicos intensos que ocorrem na fase lútea do ciclo menstrual. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) são a primeira linha de tratamento, demonstrando eficácia na melhora dos sintomas de humor e irritabilidade.
O Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM) é uma condição grave e debilitante que afeta uma parcela significativa de mulheres em idade reprodutiva, com prevalência estimada em 3-8%. Caracteriza-se por sintomas emocionais (irritabilidade intensa, labilidade de humor, disforia, ansiedade) e físicos (fome incontrolável, inchaço, dor mamária) que ocorrem consistentemente na fase lútea do ciclo menstrual e remitem após o início da menstruação. O impacto na qualidade de vida, nas relações interpessoais e na produtividade é substancial, tornando o reconhecimento e tratamento adequados essenciais. A fisiopatologia do TDPM não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva uma sensibilidade anormal às flutuações hormonais normais do ciclo menstrual, particularmente aos esteroides ovarianos, que afetam os sistemas de neurotransmissores cerebrais, especialmente o serotoninérgico. O diagnóstico é clínico e requer um registro prospectivo dos sintomas por pelo menos dois ciclos para confirmar a relação temporal com o ciclo menstrual e excluir outros transtornos de humor. É crucial diferenciar o TDPM da Síndrome Pré-Menstrual (SPM) mais leve e de exacerbações de transtornos psiquiátricos preexistentes. O tratamento de primeira linha para o TDPM são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como sertralina, fluoxetina, paroxetina e citalopram. Eles podem ser administrados de forma contínua ou intermitente (apenas na fase lútea), com boa resposta na maioria dos casos. Outras opções incluem anticoncepcionais orais combinados (especialmente com drospirenona), agonistas do GnRH para casos refratários, e terapia cognitivo-comportamental. O manejo deve ser individualizado, visando o alívio dos sintomas e a melhoria da qualidade de vida da paciente.
O TDPM é diagnosticado quando há pelo menos cinco sintomas, incluindo um sintoma afetivo central (irritabilidade, labilidade afetiva, disforia, ansiedade), que ocorrem na maioria dos ciclos menstruais durante a fase lútea e remitem na fase folicular. Os sintomas devem causar sofrimento clinicamente significativo ou interferência nas atividades diárias.
Os ISRS são considerados a primeira linha de tratamento devido à sua eficácia comprovada na modulação dos níveis de serotonina, que desempenha um papel crucial na regulação do humor, ansiedade e outros sintomas do TDPM. Eles podem ser usados de forma contínua ou intermitente (apenas na fase lútea).
Outras opções incluem anticoncepcionais orais combinados (especialmente aqueles com drospirenona), agonistas do GnRH (para casos refratários e graves), diuréticos (para sintomas de inchaço) e terapia cognitivo-comportamental. Mudanças no estilo de vida, como dieta e exercícios, também são importantes.
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