Manejo do Desejo Sexual Hipoativo na Menopausa

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 47 anos está fazendo reposição estroprogestativa por via transdérmica, com melhora importante dos sintomas climatéricos, porém com quadro de desejo sexual hipoativo. Faz uso de anlodipino para hipertensão arterial crônica. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a melhor abordagem para atender a essa queixa:

Alternativas

  1. A) Trocar o anti-hipertensivo por um Bloqueador de Receptor de Angiotensina (BRA).
  2. B) Mudar a terapia hormonal pela via oral.
  3. C) Iniciar testosterona transdérmica em gel e manter a reposição estroprogestativa.
  4. D) Iniciar testosterona transdérmica em gel e suspender a reposição estroprogestativa.

Pérola Clínica

Desejo sexual hipoativo na menopausa → Adicionar testosterona transdérmica à terapia hormonal prévia.

Resumo-Chave

A testosterona transdérmica é indicada para mulheres na pós-menopausa com desejo sexual hipoativo, desde que outras causas sejam excluídas e a paciente já esteja em terapia hormonal.

Contexto Educacional

O Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) é caracterizado pela ausência ou redução persistente de pensamentos ou fantasias sexuais e do desejo de ter atividade sexual, causando sofrimento pessoal. No climatério, a queda dos androgênios ovarianos e adrenais contribui para esse quadro. A abordagem inicial deve sempre focar na estabilização dos sintomas vasomotores e na saúde urogenital com estrogênios. Se a queixa de libido persistir após a compensação clínica, a testosterona transdérmica pode ser adicionada. As evidências atuais sustentam seu uso por curto a médio prazo (até 24 meses com reavaliações), focando na melhora da satisfação sexual e frequência de encontros sexuais satisfatórios.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para usar testosterona na mulher?

A indicação principal é o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) em mulheres na pós-menopausa. É fundamental excluir causas psicossociais, depressão e uso de medicamentos que interfiram na libido, além de garantir que a paciente já esteja em terapia estrogênica otimizada.

Por que preferir a via transdérmica para testosterona?

A via transdérmica evita o efeito de primeira passagem hepática. Diferente da via oral, ela não induz o aumento da SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), o que permite manter níveis fisiológicos de testosterona livre, que é a fração biologicamente ativa.

Quais os riscos da testosterona em doses femininas?

Quando utilizada em doses fisiológicas para mulheres (cerca de 1/10 da dose masculina), os riscos de virilização, como hirsutismo, acne e alteração da voz, são mínimos. O monitoramento deve ser clínico e laboratorial para evitar níveis suprafisiológicos.

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