Transtorno Depressivo Maior: Diagnóstico e Tratamento

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023

Enunciado

Valéria, 21 anos, desempregada, solteira, relata quadro de angústia e tristeza diária iniciado há 5 meses, após o falecimento de seus pais devido à COVID-19. Refere falta de vontade para realizar suas atividades diárias, crises de choro, sono excessivo, falta de perspectiva para o futuro. Relata que tem vontade de sumir, mas nega pensamentos de morte ou de autoagressão. Apresenta rede de apoio fragilizada, já que seus familiares moram em outro estado. Nesse caso, a melhor conduta é iniciar

Alternativas

  1. A) fluoxetina 20 mg e encaminhar para o psicólogo.
  2. B) lítio 300 mg, duas vezes ao dia, e encaminhar para o CAPS.
  3. C) amitriptilina 25 mg e encaminhar para o psiquiatra.
  4. D) práticas integrativas e complementares.

Pérola Clínica

Tristeza > 2 semanas + anedonia + alterações sono/apetite + ideação suicida ausente → TDM leve/moderado → ISRS (fluoxetina) + psicoterapia.

Resumo-Chave

A paciente apresenta critérios para transtorno depressivo maior (humor deprimido, anedonia, hipersonia, falta de perspectiva) com duração superior a 2 meses após um luto, sem ideação suicida. A conduta inicial mais apropriada é iniciar um antidepressivo ISRS, como a fluoxetina, e encaminhá-la para psicoterapia.

Contexto Educacional

O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é uma condição psiquiátrica comum e debilitante, caracterizada por um humor deprimido persistente ou perda de interesse e prazer (anedonia), acompanhados por uma constelação de outros sintomas por pelo menos duas semanas. Esses sintomas podem incluir alterações no sono e apetite, fadiga, dificuldade de concentração, sentimentos de culpa ou inutilidade, e, em casos mais graves, ideação suicida. É fundamental diferenciar o TDM de reações de luto normais, embora o luto possa ser um gatilho para um episódio depressivo maior, especialmente em indivíduos vulneráveis ou com rede de apoio fragilizada. No caso apresentado, a paciente manifesta sintomas depressivos intensos e prolongados (5 meses) após o falecimento dos pais, com impacto significativo em suas atividades diárias e falta de perspectiva, configurando um quadro de TDM. A ausência de ideação suicida é um fator importante na escolha da conduta inicial, permitindo uma abordagem ambulatorial. A melhor conduta inicial para depressão leve a moderada, sem risco iminente de suicídio, é a combinação de farmacoterapia e psicoterapia. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como a fluoxetina, são a primeira linha de tratamento devido ao seu perfil de eficácia e segurança. O encaminhamento para psicólogo ou psiquiatra é essencial para o acompanhamento e manejo adequado do transtorno, abordando tanto os aspectos biológicos quanto os psicossociais da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Transtorno Depressivo Maior (TDM)?

O TDM é diagnosticado pela presença de humor deprimido ou anedonia (perda de interesse/prazer) por pelo menos duas semanas, acompanhados de outros sintomas como alterações de sono/apetite, fadiga, dificuldade de concentração, sentimentos de inutilidade/culpa e, em casos graves, ideação suicida.

Qual a conduta inicial para um caso de depressão leve a moderada sem ideação suicida?

A conduta inicial mais apropriada é a combinação de farmacoterapia com um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS), como a fluoxetina, e psicoterapia, visando a melhora dos sintomas e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento.

Como diferenciar luto normal de Transtorno Depressivo Maior?

O luto normal geralmente diminui em intensidade com o tempo e não apresenta a mesma gravidade de sintomas como anedonia persistente, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva, e prejuízo funcional significativo que caracterizam o TDM. A duração e a intensidade dos sintomas são cruciais para a diferenciação.

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