INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Mulher de 48 anos de idade, obesa, procura ambulatório de Clínica Médica, acompanhada da irmã, com queixas de sentir-se cansada, sem ânimo e interesse para suas atividades corriqueiras e sociais, apresentando constante vontade de dormir, sem conseguir concentrar se nas suas atividades. Seu peso aumentou de 75 para 82 kg em um mês. A irmã relata que a paciente "está fazendo as coisas de maneira lenta", passa os dias em um quarto escuro e verbalizou vontade de morrer. Exame físico: IMC = 31 kg/m² (valor de referência < 25 Kg/m²), sem outras alterações. A paciente tem histórico de arritmia cardíaca. Avaliação recente de função tiroideana revelou resultados normais para TSH, T3 e T4. No caso descrito acima, qual a conduta terapêutica mais adequada?
Depressão + Arritmia → Evitar Tricíclicos; Preferir ISRS + Psicoterapia.
Em pacientes com comorbidades cardíacas, os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) são preferíveis aos tricíclicos devido ao menor risco de arritmias e toxicidade cardiovascular.
O diagnóstico da paciente sugere um Episódio Depressivo Maior, caracterizado por humor deprimido, anedonia, alterações de sono (hipersonia), ganho de peso e ideação suicida. A exclusão de causas orgânicas, como o hipotireoidismo (TSH e T4 normais), reforça a etiologia psiquiátrica. A escolha do antidepressivo deve considerar o perfil de efeitos colaterais. Dado o histórico de arritmia, a segurança cardiovascular é a prioridade. Os ISRS são a primeira escolha. Além disso, a abordagem deve ser multidisciplinar, integrando a farmacoterapia com a psicoterapia para abordar tanto os desequilíbrios neuroquímicos quanto os padrões comportamentais e psicossociais da paciente.
Os antidepressivos tricíclicos (ADTs) possuem efeitos eletrofisiológicos semelhantes aos antiarrítmicos da classe IA (efeito quinidina-símile). Eles retardam a condução ventricular, prolongam os intervalos PR, QRS e QT, o que pode exacerbar arritmias pré-existentes ou induzir bloqueios cardíacos. Em uma paciente com histórico de arritmia, o risco de eventos adversos graves torna os ADTs contraindicados como primeira linha.
Os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), como a sertralina e a fluoxetina, apresentam um perfil de segurança cardiovascular muito superior. Eles não afetam significativamente a condução cardíaca ou a pressão arterial. A sertralina, especificamente, é frequentemente citada como o antidepressivo mais seguro para pacientes pós-infarto ou com doenças cardíacas instáveis.
Embora o tratamento farmacológico seja essencial em casos moderados a graves, a associação com psicoterapia (especialmente a Cognitivo-Comportamental ou Interpessoal) demonstra resultados superiores à monoterapia. Em pacientes com sintomas somáticos e ideação suicida latente, o suporte psicoterápico auxilia na adesão ao tratamento e na reestruturação cognitiva necessária para a recuperação a longo prazo.
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