INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Mulher com 30 anos de idade é atendida por um médico numa Unidade de Saúde da Família na comunidade em que reside. Há três meses vem se sentindo muito cansada, com desânimo e desinteresse para fazer todas as suas tarefas diárias, inclusive sem vontade de comer (emagreceu 3 kg nesse período) ou de sair de casa. Não está dormindo direito e sente "que não serve para mais nada" (sic). Além do acolhimento de forma contextualizada, por meio de um relacionamento médico-paciente humanizado, quais devem ser, respectivamente, o diagnóstico e a conduta?
Humor deprimido ou anedonia + ≥ 4 sintomas (sono, apetite, culpa, energia, concentração, psicomotor, suicídio) por ≥ 2 semanas = Depressão.
O diagnóstico de depressão é clínico e sindrômico; na Atenção Primária, o médico deve estar apto a diagnosticar e iniciar o tratamento sem necessidade de encaminhamento rotineiro.
A depressão é uma das condições mais prevalentes na prática clínica, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS). O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na anamnese e observação do estado mental. Ferramentas como o PHQ-9 podem auxiliar na triagem e no monitoramento da gravidade dos sintomas. O manejo na APS envolve uma abordagem biopsicossocial: acolhimento, escuta qualificada, orientações sobre higiene do sono, atividade física e, quando indicado, farmacoterapia. O encaminhamento para a atenção secundária (psiquiatra) deve ser reservado para casos de depressão resistente (falha em dois esquemas terapêuticos adequados), risco iminente de suicídio, sintomas psicóticos ou dúvida diagnóstica diagnóstica significativa.
De acordo com o DSM-5, o paciente deve apresentar pelo menos cinco de nove sintomas durante o mesmo período de duas semanas, representando uma mudança no funcionamento anterior. Pelo menos um dos sintomas deve ser (1) humor deprimido na maior parte do dia ou (2) perda de interesse ou prazer (anedonia). Os outros sintomas incluem: alteração significativa de peso ou apetite, insônia ou hipersonia, agitação ou retardo psicomotor, fadiga ou perda de energia, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva, capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se e pensamentos recorrentes de morte ou ideação suicida.
O tratamento deve ser iniciado assim que o diagnóstico de episódio depressivo moderado a grave for estabelecido, ou em casos leves que não respondem a intervenções psicossociais iniciais. Na Atenção Primária, a escolha geralmente recai sobre os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), como fluoxetina ou sertralina, devido ao perfil de segurança e tolerabilidade. É fundamental orientar o paciente que o efeito terapêutico demora de 2 a 4 semanas para iniciar e que os efeitos colaterais iniciais (como náuseas e cefaleia) tendem a ser transitórios.
É crucial excluir causas orgânicas e outros transtornos mentais. O hipotireoidismo é um diferencial clássico que pode mimetizar sintomas depressivos (fadiga, lentificação). Anemias graves e deficiências vitamínicas (B12) também devem ser consideradas. Além disso, deve-se diferenciar a depressão unipolar do Transtorno Bipolar, questionando sobre episódios prévios de mania ou hipomania, pois o uso isolado de antidepressivos no transtorno bipolar pode desencadear virada maníaca. O luto normal também deve ser diferenciado, embora o DSM-5 permita o diagnóstico de depressão se os critérios forem preenchidos mesmo durante o luto.
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