HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022
Paciente de 65 anos, feminina, com apatia, sensação de tristeza e de fardo para a família, sentimento de culpa e baixa autoestima, relatou que perdeu capacidade de sentir prazer e alegria, além de queixar-se de câimbras nas pernas, problemas de memória e desesperança quanto ao futuro. Ao exame físico apresenta retardo motor. A paciente refere que apresenta essas queixas há, aproximadamente, três semanas. Entre as hipóteses diagnósticas abaixo, a mais provável é
Humor deprimido + anedonia + ≥5 sintomas por ≥2 semanas = Transtorno Depressivo Maior.
A paciente apresenta múltiplos sintomas que se encaixam nos critérios para um episódio depressivo maior, incluindo humor deprimido, anedonia e sintomas neurovegetativos e cognitivos, com duração de 3 semanas. A idade avançada pode mascarar a depressão, que se manifesta com mais queixas somáticas e cognitivas.
O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é uma condição psiquiátrica comum e debilitante, caracterizada por um humor deprimido ou perda de interesse/prazer (anedonia) na maioria das atividades, por pelo menos duas semanas, acompanhado de outros sintomas como alterações no sono, apetite, energia, concentração, sentimentos de culpa ou inutilidade e pensamentos de morte. É uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo. O diagnóstico do TDM é clínico, baseado nos critérios do DSM-5. É fundamental diferenciar o TDM de outras condições psiquiátricas, como transtorno bipolar (pela ausência de episódios maníacos ou hipomaníacos) e transtornos de personalidade. Em idosos, a depressão pode se manifestar de forma atípica, com mais queixas somáticas e cognitivas, o que pode dificultar o diagnóstico e levar à subnotificação. O tratamento do TDM geralmente envolve uma combinação de farmacoterapia (antidepressivos) e psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental, terapia interpessoal). A escolha do tratamento depende da gravidade dos sintomas, comorbidades e preferências do paciente. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são essenciais para melhorar o prognóstico e prevenir complicações, como o suicídio.
De acordo com o DSM-5, são necessários cinco (ou mais) dos seguintes sintomas presentes durante o mesmo período de duas semanas, representando uma mudança em relação ao funcionamento anterior, sendo que pelo menos um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda de interesse ou prazer (anedonia). Outros sintomas incluem alteração de peso/apetite, insônia/hipersonia, agitação/retardo psicomotor, fadiga, sentimentos de inutilidade/culpa, dificuldade de concentração e pensamentos de morte/suicídio.
Em idosos, a depressão pode se apresentar com mais queixas somáticas (dores, câimbras), cognitivas (problemas de memória, dificuldade de concentração) e menos com tristeza explícita, sendo por vezes mascarada por apatia ou irritabilidade.
O transtorno depressivo maior refere-se a um único episódio. O transtorno depressivo recorrente é diagnosticado quando há histórico de dois ou mais episódios depressivos maiores separados por pelo menos dois meses sem sintomas significativos.
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