TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023
Sobre o transtorno depressivo, assinale a alternativa correta:
Depressão no idoso → curso atípico + déficit cognitivo (pseudodemência) = diagnóstico diferencial de demência.
No idoso, a depressão frequentemente mimetiza quadros demenciais devido a déficits de memória e concentração, sendo reversível com o tratamento adequado do humor.
O transtorno depressivo maior é uma condição prevalente e multifatorial. No contexto geriátrico, a apresentação clínica pode se distanciar do padrão clássico de tristeza profunda, manifestando-se através de queixas somáticas, irritabilidade e, crucialmente, prejuízos cognitivos. A diferenciação entre demência primária e pseudodemência é um desafio clínico vital, pois a última é potencialmente reversível. Além disso, a epidemiologia mostra uma predominância feminina clara, e o diagnóstico deve ser pautado nos critérios do DSM-5 ou CID-11. Alterações de sono e apetite são comuns, mas não são os únicos critérios 'essenciais' (humor deprimido e anedonia detêm esse status). A internação hospitalar é reservada para casos específicos, como risco iminente de auto ou heteroagressão, e não é uma regra para todos os pacientes atendidos em emergência.
A pseudodemência depressiva é um quadro onde o paciente idoso apresenta queixas cognitivas significativas, como perda de memória e desatenção, secundárias a um episódio depressivo grave. Diferente das demências neurodegenerativas, o início costuma ser mais abrupto, o paciente frequentemente responde 'não sei' aos testes e há uma melhora dramática dos sintomas cognitivos após o tratamento eficaz da depressão com psicofármacos ou psicoterapia.
Segundo o DSM-5, o diagnóstico requer a presença de pelo menos cinco sintomas por duas semanas, sendo obrigatoriamente um deles humor deprimido ou anedonia (perda de interesse). Outros sintomas incluem alterações de sono, apetite, energia, concentração, sentimentos de culpa ou inutilidade, agitação ou retardo psicomotor e ideação suicida. É fundamental que os sintomas causem sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional.
Estudos epidemiológicos demonstram consistentemente que o transtorno depressivo maior é cerca de duas vezes mais frequente em mulheres do que em homens. Essa diferença é atribuída a uma combinação de fatores biológicos (flutuações hormonais, genética), psicológicos (maior propensão à ruminação) e sociais (maior exposição a estressores, sobrecarga de papéis e desigualdade de gênero), iniciando-se geralmente após a puberdade.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo