HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2023
Mulher de 42 anos apresenta, há 2 meses, dores pelo corpo, desânimo, irritabilidade, insônia com sono não reparador, diminuição do apetite e emagrecimento de 5 kg, com piora há 15 dias. Não tem conseguido fazer as tarefas domésticas, nem outras atividades de que antes gostava, passando a maior parte do dia com os sintomas, com discreta melhora da disposição física no período da tarde. Não consegue relacionar sua situação a nenhum fator ambiental, mas relata maior indisposição para o trabalho, o que tem gerado alguma dificuldade com os colegas. AP: episódio semelhante há 10 anos. O diagnóstico e a conduta medicamentosa são:
Transtorno Depressivo Maior: humor deprimido/anedonia + ≥4 sintomas por ≥2 semanas. ISRS é 1ª linha.
O quadro clínico descrito, com humor deprimido, anedonia, alterações de sono e apetite, e prejuízo funcional por mais de 2 meses, com piora recente e histórico de episódio semelhante, é altamente sugestivo de Transtorno Depressivo Maior. Os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) são a primeira linha de tratamento farmacológico devido ao perfil de eficácia e segurança.
O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é uma condição psiquiátrica comum e debilitante, caracterizada por episódios de humor deprimido ou perda de interesse/prazer (anedonia), acompanhados por uma constelação de sintomas neurovegetativos e cognitivos. Sua prevalência ao longo da vida é significativa, afetando milhões de pessoas globalmente e representando uma das principais causas de incapacidade. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes. O diagnóstico do TDM baseia-se nos critérios do DSM-5, que exigem a presença de pelo menos cinco sintomas, incluindo humor deprimido ou anedonia, por um período mínimo de duas semanas, causando sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes. Sintomas adicionais podem incluir alterações no apetite ou peso, insônia ou hipersonia, agitação ou retardo psicomotor, fadiga, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva, diminuição da capacidade de pensar ou se concentrar, e pensamentos recorrentes de morte ou suicídio. O tratamento do TDM geralmente envolve uma combinação de farmacoterapia e psicoterapia. Os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) são a primeira escolha para o tratamento medicamentoso devido à sua eficácia e perfil de efeitos colaterais favorável. Outras opções incluem inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), antidepressivos atípicos e, em casos refratários, antidepressivos tricíclicos ou inibidores da monoaminoxidase (IMAO). A resposta ao tratamento pode levar algumas semanas, e a manutenção da medicação é essencial para prevenir recaídas, especialmente em pacientes com histórico de episódios recorrentes.
Para o diagnóstico de Transtorno Depressivo Maior, é necessário apresentar humor deprimido ou anedonia (perda de interesse/prazer) por pelo menos duas semanas, acompanhado de outros quatro ou mais sintomas, como alterações de sono, apetite, energia, concentração, psicomotricidade, sentimentos de culpa/menos valia ou ideação suicida.
Os ISRS são considerados a primeira linha de tratamento farmacológico para o Transtorno Depressivo Maior devido à sua eficácia comprovada, bom perfil de segurança e tolerabilidade, e menor incidência de efeitos colaterais em comparação com outras classes de antidepressivos, como os tricíclicos.
O Transtorno Depressivo Maior é caracterizado por episódios distintos de sintomas mais intensos e com maior impacto funcional, enquanto o Transtorno Depressivo Persistente (distimia) envolve sintomas mais leves, mas crônicos, presentes na maior parte do tempo por pelo menos dois anos.
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