Manejo do Transtorno Depressivo Maior na Atenção Básica

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 38 anos de idade, auxiliar de cozinha, comparece a consulta em uma Unidade Básica de Saúde por tristeza, desânimo e diminuição do apetite há 6 meses, perdendo cerca de 8kg nos últimos meses. Não tem mais vontade de sair com os filhos para ir ao cinema nem passear na praça perto de casa, está tendo muita dificuldade em se concentrar no trabalho, já esqueceu várias vezes de pôr sal nas comidas que prepara. No último mês, faltou com frequência ao trabalho porque não consegue se levantar da cama pela manhã. Demora bastante para pegar no sono e acorda diversas vezes durante a noite, o que a incomoda muito. Algumas vezes, chega a pensar se vale realmente a pena viver a vida dessa forma. Possui hipertensão arterial bem controlada com uso de losartana 100 mg/dia.A conduta terapêutica para a paciente, nesse momento, seria:

Alternativas

  1. A) Iniciar quetiapina 25 mg/dia, solicitar exames laboratoriais e encaminhar ao CAPS (centro de atenção psicossocial) para acompanhamento psiquiátrico e psicoterapia.
  2. B) Iniciar haloperidol 10 mg/dia, solicitar exames laboratoriais e encaminhar ao CAPS (centro de atenção psicossocial) para acompanhamento psiquiátrico e psicoterapia.
  3. C) Iniciar amitriptilina 25 mg/dia e encaminhar ao CAPS (centro de atenção psicossocial) para psicoterapia, sem necessidade de exames complementares no momento.
  4. D) Iniciar citalopram 20 mg/dia, encaminhar para continuar acompanhamento em psicoterapia e indicar atividades física e de lazer, sem necessidade de exames complementares no momento.
  5. E) Iniciar sertralina 50 mg/dia e zolpidem 10mg à noite, solicitar exames laboratoriais, encaminhar a paciente para acompanhamento conjunto com equipe multidisciplinar e indicar atividades física e de lazer.

Pérola Clínica

Depressão moderada/grave → ISRS + Higiene do sono/Zolpidem + Exames laboratoriais.

Resumo-Chave

O tratamento do Transtorno Depressivo Maior envolve farmacoterapia com ISRS, suporte para sintomas debilitantes como a insônia, e a exclusão obrigatória de causas orgânicas (como hipotireoidismo ou anemia) que mimetizam sintomas depressivos.

Contexto Educacional

O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é diagnosticado clinicamente com base nos critérios do DSM-5, exigindo pelo menos 5 de 9 sintomas por duas semanas, sendo obrigatoriamente um deles humor deprimido ou anedonia. O caso apresenta uma paciente com sintomas graves: perda ponderal, insônia, prejuízo funcional importante (faltas ao trabalho) e ideação suicida passiva. A abordagem terapêutica deve ser multidimensional. A farmacoterapia com ISRS (como a sertralina) é o padrão-ouro inicial. A associação com psicoterapia (especialmente TCC) apresenta resultados superiores à monoterapia. Além disso, a promoção de hábitos saudáveis, como atividade física e lazer, auxilia na recuperação da neuroplasticidade e resiliência. A investigação laboratorial garante que não estamos negligenciando uma causa secundária tratável.

Perguntas Frequentes

Por que solicitar exames laboratoriais no diagnóstico de depressão?

Diversas condições médicas podem se manifestar com sintomas de humor, fadiga e alterações de apetite. O hipotireoidismo, a anemia ferropriva, deficiências vitamínicas (B12/Folato) e distúrbios eletrolíticos são diagnósticos diferenciais essenciais. Tratar a causa base é fundamental, e a presença de uma comorbidade orgânica pode alterar a resposta ao tratamento antidepressivo.

Qual a vantagem da Sertralina como primeira linha?

A sertralina é um Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina (ISRS) com excelente perfil de segurança, poucas interações medicamentosas (importante em pacientes hipertensos como a do caso) e boa tolerabilidade. É eficaz tanto nos sintomas afetivos quanto nos sintomas ansiosos frequentemente associados.

Quando indicar o uso de Zolpidem na depressão?

O zolpidem é um hipnótico não-benzodiazepínico indicado para o tratamento de curto prazo da insônia grave que causa prejuízo funcional significativo. Como os antidepressivos levam de 2 a 4 semanas para iniciar seu efeito terapêutico, o manejo da insônia no início do tratamento melhora a adesão e a qualidade de vida imediata do paciente.

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