HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2022
Mulher, 38 anos de idade, auxiliar de cozinha, comparece a consulta em uma Unidade Básica de Saúde por tristeza, desânimo e diminuição do apetite há 6 meses, perdendo cerca de 8kg nos últimos meses. Não tem mais vontade de sair com os filhos para ir ao cinema nem passear na praça perto de casa, está tendo muita dificuldade em se concentrar no trabalho, já esqueceu várias vezes de pôr sal nas comidas que prepara. No último mês, faltou com frequência ao trabalho porque não consegue se levantar da cama pela manhã. Demora bastante para pegar no sono e acorda diversas vezes durante a noite, o que a incomoda muito. Algumas vezes, chega a pensar se vale realmente a pena viver a vida dessa forma. Possui hipertensão arterial bem controlada com uso de losartana 100 mg/dia.A conduta terapêutica para a paciente, nesse momento, seria:
Depressão moderada/grave → ISRS + Higiene do sono/Zolpidem + Exames laboratoriais.
O tratamento do Transtorno Depressivo Maior envolve farmacoterapia com ISRS, suporte para sintomas debilitantes como a insônia, e a exclusão obrigatória de causas orgânicas (como hipotireoidismo ou anemia) que mimetizam sintomas depressivos.
O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é diagnosticado clinicamente com base nos critérios do DSM-5, exigindo pelo menos 5 de 9 sintomas por duas semanas, sendo obrigatoriamente um deles humor deprimido ou anedonia. O caso apresenta uma paciente com sintomas graves: perda ponderal, insônia, prejuízo funcional importante (faltas ao trabalho) e ideação suicida passiva. A abordagem terapêutica deve ser multidimensional. A farmacoterapia com ISRS (como a sertralina) é o padrão-ouro inicial. A associação com psicoterapia (especialmente TCC) apresenta resultados superiores à monoterapia. Além disso, a promoção de hábitos saudáveis, como atividade física e lazer, auxilia na recuperação da neuroplasticidade e resiliência. A investigação laboratorial garante que não estamos negligenciando uma causa secundária tratável.
Diversas condições médicas podem se manifestar com sintomas de humor, fadiga e alterações de apetite. O hipotireoidismo, a anemia ferropriva, deficiências vitamínicas (B12/Folato) e distúrbios eletrolíticos são diagnósticos diferenciais essenciais. Tratar a causa base é fundamental, e a presença de uma comorbidade orgânica pode alterar a resposta ao tratamento antidepressivo.
A sertralina é um Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina (ISRS) com excelente perfil de segurança, poucas interações medicamentosas (importante em pacientes hipertensos como a do caso) e boa tolerabilidade. É eficaz tanto nos sintomas afetivos quanto nos sintomas ansiosos frequentemente associados.
O zolpidem é um hipnótico não-benzodiazepínico indicado para o tratamento de curto prazo da insônia grave que causa prejuízo funcional significativo. Como os antidepressivos levam de 2 a 4 semanas para iniciar seu efeito terapêutico, o manejo da insônia no início do tratamento melhora a adesão e a qualidade de vida imediata do paciente.
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