AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2022
Um homem de 66 anos queixa-se que, há três meses, tem fadiga intensa e desânimo, inapetência, insônia, “nervosismo”, sentimento de culpa, tristeza e perda de peso. Nega ideias de morte e diz que isso seria contra suas crenças religiosas. Esses sintomas são incapacitantes, com prejuízo econômico. Apresentou quadro semelhante previamente, que melhorou com o uso de antidepressivos. Não apresenta outras alterações clínicas e laboratoriais. Diante dessa situação clínica, qual a conduta mais adequada?
Depressão maior com sintomas incapacitantes e histórico de resposta a AD → Iniciar antidepressivo.
O paciente apresenta um quadro clínico clássico de Transtorno Depressivo Maior, com sintomas persistentes por mais de 2 semanas, prejuízo funcional e histórico de resposta prévia a antidepressivos. A negação de ideias de morte não exclui o diagnóstico, e a presença de sintomas incapacitantes justifica o tratamento farmacológico imediato.
O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é uma condição psiquiátrica comum e debilitante, caracterizada por um período de pelo menos duas semanas com humor deprimido ou perda de interesse/prazer (anedonia), acompanhado de outros sintomas como alterações no sono, apetite, energia, concentração, sentimentos de culpa ou inutilidade e, por vezes, ideação suicida. A presença de sintomas incapacitantes e prejuízo funcional é crucial para o diagnóstico. No caso apresentado, o paciente exibe múltiplos sintomas que preenchem os critérios para TDM, incluindo fadiga, desânimo, inapetência, insônia, tristeza e perda de peso, além de prejuízo econômico. O histórico de um quadro semelhante que melhorou com antidepressivos reforça a natureza recorrente da doença e a provável eficácia do tratamento farmacológico. A conduta mais adequada é a prescrição de um antidepressivo. Embora a negação de ideias de morte seja um bom sinal, a gravidade e a cronicidade dos outros sintomas justificam a intervenção medicamentosa. Benzodiazepínicos podem ser usados para sintomas de ansiedade e insônia a curto prazo, mas não tratam a depressão em si. Reavaliar sem medicação seria postergar um tratamento necessário para um quadro que já está causando grande sofrimento e impacto funcional.
Os sintomas incluem humor deprimido ou anedonia (perda de interesse/prazer) por pelo menos duas semanas, acompanhados de alterações no apetite/peso, sono, energia, concentração, sentimentos de culpa/menos valia e, em casos graves, ideação suicida.
Antidepressivos são indicados para quadros de Transtorno Depressivo Maior, especialmente quando os sintomas são moderados a graves, causam prejuízo funcional significativo ou há histórico de resposta prévia à medicação.
Um histórico de melhora com antidepressivos em um episódio anterior é um forte indicativo de que a mesma classe ou um medicamento similar pode ser eficaz em um novo episódio, orientando a escolha terapêutica.
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