TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023
Paciente masculino, de 33 anos de idade, buscou atendimento em pronto-atendimento por apresentar humor deprimido, sentimentos de culpa excessiva, diminuição importante do interesse nas atividades (anedonia), hipersonia e perda de peso significativa (cerca de 8 kg). Os sintomas tiveram início há seis semanas, porém, com piora progressiva nas últimas duas semanas. Quanto à conduta a ser adotada de imediato, assinale a alternativa correta.
Episódio depressivo → Avaliar risco de suicídio e uso de substâncias antes de tratar.
A avaliação inicial de um paciente com sintomas depressivos graves deve priorizar a segurança (risco de autoextermínio) e a identificação de fatores complicadores como o uso de substâncias psicoativas.
O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é uma condição prevalente e potencialmente fatal devido ao risco de suicídio. A abordagem inicial no pronto-atendimento exige sensibilidade e técnica para extrair informações sobre ideação e planejamento suicida, que muitas vezes não são relatados espontaneamente. A presença de sintomas como anedonia e perda de peso significativa indica gravidade. A investigação de comorbidades, especialmente o transtorno por uso de substâncias, é crucial, pois o álcool e outras drogas são depressores do sistema nervoso central e potencializam a impulsividade. O tratamento farmacológico, embora importante, sucede a estabilização do risco e a definição do cenário de cuidado (ambulatorial vs. hospitalar).
O diagnóstico requer pelo menos cinco sintomas por duas semanas, incluindo obrigatoriamente humor deprimido ou anedonia. Outros sintomas incluem alterações de peso/apetite, sono (insônia ou hipersonia), agitação ou retardo psicomotor, fadiga, sentimentos de inutilidade ou culpa, dificuldade de concentração e ideação suicida. A avaliação deve descartar causas orgânicas e uso de substâncias.
O uso de substâncias pode tanto mimetizar sintomas depressivos quanto ser uma comorbidade que agrava o prognóstico e aumenta o risco de suicídio. Além disso, certas substâncias podem interagir com medicamentos antidepressivos ou dificultar a adesão ao tratamento, sendo essencial estabilizar o consumo para um manejo eficaz do transtorno de humor.
A internação é indicada em casos de risco iminente de suicídio ou heteroagressividade, incapacidade grave de autocuidado, falta de suporte social adequado para manejo ambulatorial ou quando o tratamento ambulatorial falhou em garantir a segurança do paciente. A decisão deve ser baseada em uma avaliação clínica minuciosa do estado mental e do contexto social.
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