Depressão Maior: Diagnóstico e Avaliação de Risco Suicida

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 45 anos, casado, chega ao consultório referindo cansaço intenso, dificuldade de concentração e diminuição do apetite. Além disso, percebe-se triste, choroso e, apesar de cansado, tem acordado em torno das 5h30 da manhã, cerca de 1h antes do necessário. Diz que se sente ""um peso para os familiares"", pois não tem conseguido trabalhar regularmente, nem sente prazer em realizar atividades que antes gostava de fazer, como assistir ao seu time de futebol jogar e ficar com a família. Tais sintomas estão presentes há mais de duas semanas.Sobre a conduta nesse momento da entrevista, assinalar a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Chamar os familiares para internar o paciente compulsoriamente.
  2. B) Fluoxetina 40mg e não perguntar sobre suicídio, pois poderia dar-lhe ideia de fazê-lo.
  3. C) Questionar sobre suicídio para avaliar a gravidade dos sintomas e melhor orientar a conduta.
  4. D) Solicitar RM de crânio com contraste, endoscopia e ecografia abdominal total para elucidar o diagnóstico.

Pérola Clínica

Paciente com sintomas depressivos graves e ideação de culpa/peso → SEMPRE investigar risco de suicídio para conduta adequada.

Resumo-Chave

Diante de um quadro depressivo com sintomas graves como anedonia, insônia terminal e sentimentos de culpa/desvalia, a avaliação do risco de suicídio é prioritária e obrigatória. Não perguntar sobre suicídio é um erro grave, pois não induz a ideia, mas permite a identificação e intervenção.

Contexto Educacional

O caso clínico descreve um quadro clássico de transtorno depressivo maior, com sintomas como humor deprimido, anedonia, alterações do sono (insônia terminal), fadiga, dificuldade de concentração e sentimentos de culpa/desvalia, presentes por mais de duas semanas. A depressão é uma condição psiquiátrica comum e potencialmente grave, com alto risco de morbidade e mortalidade, especialmente por suicídio. Diante de um paciente com múltiplos sintomas depressivos e, em particular, com sentimentos de desvalia ("um peso para os familiares"), a avaliação do risco de suicídio é uma prioridade absoluta. A crença de que perguntar sobre suicídio pode "dar a ideia" ao paciente é um mito perigoso; na verdade, a pergunta direta e empática é uma ferramenta essencial para identificar o risco, permitir que o paciente se abra e buscar intervenções adequadas. A conduta inicial deve incluir uma avaliação completa do risco suicida, que pode levar a diferentes abordagens, desde o tratamento ambulatorial com psicoterapia e farmacoterapia (como a fluoxetina, mas a dose deve ser individualizada) até a internação hospitalar em casos de alto risco. Exames complementares extensos (RM, endoscopia) não são a conduta inicial para o diagnóstico de depressão, a menos que haja suspeita de causas orgânicas subjacentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas do transtorno depressivo maior?

Os sintomas incluem humor deprimido ou anedonia (perda de prazer) por pelo menos duas semanas, acompanhados de alterações no sono, apetite, energia, concentração, psicomotricidade, sentimentos de culpa/desvalia e ideação suicida.

Por que é crucial perguntar sobre suicídio em pacientes deprimidos?

Perguntar sobre suicídio é crucial para avaliar o risco real, permitir que o paciente expresse seu sofrimento e buscar intervenções adequadas, como intensificação do tratamento ou internação, sem induzir a ideia.

Quando considerar a internação hospitalar para um paciente com depressão?

A internação é considerada em casos de alto risco de suicídio com plano definido, falha do tratamento ambulatorial, grave comprometimento funcional ou psicose associada, visando à segurança e estabilização do paciente.

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