INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Uma mulher com 30 anos de idade comparece à consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde. Refere que há 30 dias vem se sentindo desanimada, sem energia, com hiporexia, dificuldade de concentração e perda de prazer ao realizar atividades antes consideradas prazerosas. Relata também episódios de mal-estar súbito e uma “bola na garganta”, com dificuldade para engolir, quando muito ansiosa. Diz trabalhar e cumprir com suas obrigações com dificuldade. Nega antecedentes clínicos e psiquiátricos, bem como o uso de medicações, álcool, tabaco e outras drogas. Diante desses sintomas, assinale a alternativa em que são apresentadas a principal hipótese diagnóstica e a conduta adequada ao caso:
Depressão leve → Psicoterapia + Atividade física (evitar fármacos como 1ª linha se funcionalidade preservada).
O diagnóstico de transtorno depressivo leve baseia-se na presença de sintomas nucleares (anedonia, humor deprimido) por pelo menos 15 dias, com prejuízo funcional moderado ou leve, permitindo condutas não farmacológicas iniciais.
O manejo da depressão na Unidade Básica de Saúde exige uma avaliação cuidadosa da gravidade dos sintomas e do suporte social do paciente. O transtorno depressivo leve muitas vezes se apresenta com queixas somáticas associadas, como o 'globus hystericus' (bola na garganta) mencionado, que reflete a somatização da ansiedade. A abordagem inicial deve ser centrada na pessoa, utilizando a escuta qualificada e a pactuação de metas de autocuidado. Estudos mostram que a intervenção precoce com psicoterapia cognitivo-comportamental ou interpessoal, aliada à higiene do sono e exercícios físicos, previne a progressão para quadros graves e reduz a necessidade de polifarmácia. É fundamental monitorar a evolução do quadro para ajustar a conduta caso os sintomas persistam ou se intensifiquem.
A depressão é classificada como leve quando o paciente apresenta o número mínimo de sintomas necessários para o diagnóstico (geralmente 5 sintomas, incluindo humor deprimido ou anedonia), mas esses sintomas resultam em apenas um pequeno prejuízo no funcionamento social ou ocupacional. O paciente consegue manter suas atividades diárias, embora com esforço adicional, como descrito no caso clínico onde a paciente cumpre obrigações com dificuldade.
A atividade física regular possui evidência robusta no tratamento de quadros depressivos leves a moderados. Ela atua aumentando a disponibilidade de neurotransmissores como serotonina e dopamina, além de estimular o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), que promove plasticidade neuronal. Em casos leves, o efeito da atividade física pode ser comparável ao de antidepressivos, com menos efeitos colaterais.
O tratamento farmacológico é indicado como primeira linha em casos de depressão moderada a grave, em pacientes com sintomas psicóticos, risco de suicídio ou quando não houve resposta satisfatória às intervenções não farmacológicas (psicoterapia e mudanças de estilo de vida) em casos leves após um período de observação e acompanhamento.
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