Diagnóstico de Transtorno Depressivo com Sintomas Somáticos

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 25 anos, com história de procura frequente de UBS e pronto-socorro devido a queixas físicas, sempre com exames clínicos e laboratoriais normais. A partir dos dados de história e exame psíquico, pode tratar-se de transtorno:

Alternativas

  1. A) De somatização, se houver queixas vagas, com presença de simbolismo dos sintomas, ganho secundário e indiferença afetiva ao quadro.
  2. B) Depressivo, se houver queixas de dores pelo corpo, falta de energia para realizar atividades cotidianas, inapetência com perda de peso e insônia terminal.
  3. C) Dissociativo conversivo, se houver queixas vagas e preocupação recorrente com doença e, embora reassegurada de seu bem-estar físico, a paciente peregrina por inúmeros médicos.
  4. D) Factício, se os sintomas forem de início súbito com taquicardia, sudorese, sensação de morte iminente e desconforto estomacal.

Pérola Clínica

Queixas físicas crônicas + humor deprimido + sintomas vegetativos (insônia/peso) → Depressão.

Resumo-Chave

Sintomas somáticos são manifestações frequentes de depressão. A presença de insônia terminal e perda de peso são marcadores de gravidade biológica que direcionam o diagnóstico para transtorno depressivo.

Contexto Educacional

O Transtorno Depressivo Maior é uma das condições mais subdiagnosticadas na atenção primária devido à sua apresentação polimórfica. A alternativa correta destaca que a presença de dores, falta de energia, inapetência e insônia terminal configura um quadro depressivo clássico, mesmo que a queixa inicial pareça puramente física. É fundamental que o médico investigue os critérios do DSM-5 (humor, interesse, peso, sono, agitação/retardo, fadiga, culpa, concentração e ideação suicida) em qualquer paciente com 'peregrinação médica' e exames normais. O tratamento envolve não apenas o manejo dos sintomas físicos, mas o uso de antidepressivos e psicoterapia para tratar a causa base.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a insônia terminal na depressão?

A insônia terminal, ou despertar precoce, é caracterizada pelo paciente acordar pelo menos duas horas antes do horário habitual e não conseguir voltar a dormir. É considerada um sintoma clássico e um marcador biológico de episódios depressivos maiores, frequentemente associada a uma maior gravidade do quadro e variação diurna do humor (piora pela manhã).

Como diferenciar somatização de depressão?

No transtorno de somatização (ou transtorno de sintomas somáticos), o foco principal do paciente são os sintomas físicos e a preocupação excessiva com eles. Na depressão, embora os sintomas físicos existam, eles vêm acompanhados de uma síndrome afetiva clara: anedonia, tristeza profunda, sentimentos de culpa, além de alterações biológicas como inapetência e insônia terminal, que não são típicas da somatização pura.

Por que pacientes depressivos procuram tanto o pronto-socorro?

Muitos pacientes com depressão apresentam o que chamamos de 'depressão mascarada', onde os sintomas psíquicos são expressos através de queixas físicas (cefaleia, dores musculares, cansaço). Como o sofrimento é real, eles buscam alívio imediato para a dor física, muitas vezes sem perceber a conexão com seu estado emocional, o que gera uma peregrinação por serviços de urgência e exames complementares.

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