HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Mateus, escolar, sexo masculino, com 9 anos, é levado ao ambulatório com queixas de dificuldade de concentração e inquietação excessiva desde os primeiros anos escolares. A mãe relata que ele frequentemente começa atividades, mas não as conclui, facilmente se distrai com estímulos externos e demonstra dificuldade em permanecer sentado por longos períodos, tanto em casa quanto na escola. Os professores relatam que ele frequentemente interrompe as aulas falando fora de hora, perde objetos escolares com frequência e apresenta dificuldades significativas para seguir instruções, embora não demonstre déficit intelectual. Além disso, a mãe refere que Mateus tem dificuldade em organizar tarefas e esquece com frequência compromissos, como levar livros para a escola ou fazer os deveres de casa. No exame clínico, não há alterações significativas, e o desenvolvimento global de Mateus é compatível com sua idade. Questionada sobre outros aspectos, a mãe informa que essas características influenciam negativamente o desempenho escolar e as relações dele tanto em casa quanto com amigos. Com base no quadro descrito, é correto afirmar que:
TDAH diagnóstico = ≥ 6 sintomas + 2 ou mais ambientes + prejuízo funcional.
O diagnóstico de TDAH é clínico e exige a presença de sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade em múltiplos contextos, impactando o desenvolvimento social ou acadêmico.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento com forte base genética e neurobiológica, caracterizado por disfunção nos circuitos dopaminérgicos e noradrenérgicos do córtex pré-frontal. O diagnóstico exige uma anamnese robusta, muitas vezes utilizando escalas validadas como a SNAP-IV. É crucial diferenciar o TDAH de comportamentos normais para a idade ou de outros transtornos, como ansiedade, depressão ou transtornos de aprendizagem. O tratamento é multimodal, combinando intervenções psicoeducacionais, terapia cognitivo-comportamental e, quando indicado, farmacoterapia com psicoestimulantes (como o metilfenidato) ou não estimulantes (como a atomoxetina).
Segundo o DSM-5, o diagnóstico exige a presença de pelo menos seis sintomas de desatenção e/ou seis de hiperatividade-impulsividade para crianças (cinco para adolescentes acima de 17 anos e adultos). Esses sintomas devem persistir por pelo menos seis meses, ter iniciado antes dos 12 anos, estar presentes em dois ou mais ambientes (ex: casa e escola) e causar interferência clara no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional.
Não, o teste de QI não é um critério diagnóstico para o TDAH. Embora o transtorno possa coexistir com deficiência intelectual ou altas habilidades, o diagnóstico de TDAH é eminentemente clínico. Avaliações neuropsicológicas podem ser úteis para identificar comorbidades ou perfis cognitivos específicos, mas não substituem a anamnese detalhada e a observação comportamental.
Não necessariamente. Embora a hiperatividade motora tenda a diminuir com a idade, os sintomas de desatenção e impulsividade frequentemente persistem na vida adulta em cerca de 50% a 80% dos casos. O quadro pode se manifestar como dificuldade de organização, procrastinação e instabilidade profissional, exigindo continuidade do acompanhamento terapêutico e, por vezes, farmacológico.
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