TDAH: Neurobiologia e Tratamento com Psicoestimulantes

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2022

Enunciado

Em relação ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) É um transtorno que usualmente aparece na infância ou adolescência, relacionado a alterações neurobiológicas e costuma apresentar melhora do quadro clínico com uso de psicoestimulantes.
  2. B) É relacionado essencialmente com fatores culturais (as práticas de determinada sociedade) e as primeiras vivências infantis (o modo como os pais, ou seus substitutos, educam e se relacionam com os filhos, com os decorrentes conflitos psicológicos).
  3. C) São consideradas as principais causas: luz artificial, consumo de açúcar, deficiência hormonal e deficiências vitamínicas na dieta da criança. Não estão associados a outras comorbidades psiquiátricas na vida adulta.
  4. D) Abordagem focada completamente na relação do terapeuta com o paciente.

Pérola Clínica

TDAH = Transtorno neurobiológico da infância/adolescência, com melhora clínica frequente com psicoestimulantes.

Resumo-Chave

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento com base neurobiológica, que se manifesta na infância ou adolescência. O tratamento com psicoestimulantes, como metilfenidato e lisdexanfetamina, é eficaz na melhora dos sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade.

Contexto Educacional

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento crônico, que se manifesta tipicamente na infância e pode persistir na vida adulta. Caracteriza-se por padrões persistentes de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interferem no funcionamento ou desenvolvimento. A prevalência global em crianças e adolescentes é de aproximadamente 5-7%, e em adultos, cerca de 2,5%. A fisiopatologia do TDAH é complexa e envolve alterações neurobiológicas, como disfunções nos sistemas de neurotransmissores (dopamina e noradrenalina) e em circuitos cerebrais que regulam a atenção, o controle executivo e a inibição. Fatores genéticos desempenham um papel significativo, com alta herdabilidade. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios diagnósticos estabelecidos (DSM-5 ou CID-11), e requer uma avaliação abrangente que descarte outras condições. O tratamento do TDAH é multimodal, combinando intervenções psicossociais (terapia cognitivo-comportamental, treinamento de pais, intervenções escolares) e farmacológicas. Os psicoestimulantes são a primeira linha de tratamento farmacológico e são altamente eficazes na redução dos sintomas nucleares. Eles atuam aumentando a disponibilidade de dopamina e noradrenalina nas fendas sinápticas. É importante ressaltar que o TDAH não está relacionado a fatores culturais ou deficiências nutricionais como causas primárias, embora estes possam influenciar a manifestação dos sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características do TDAH?

O TDAH é caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento ou desenvolvimento. Os sintomas devem estar presentes em múltiplos ambientes e causar prejuízo significativo.

Como os psicoestimulantes atuam no tratamento do TDAH?

Os psicoestimulantes, como o metilfenidato e a lisdexanfetamina, aumentam a disponibilidade de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina no cérebro, melhorando a atenção, o controle de impulsos e a regulação da atividade motora.

O TDAH é um transtorno que se manifesta apenas na infância?

Não, embora o TDAH se inicie na infância, seus sintomas podem persistir na adolescência e na vida adulta. Muitos adultos com TDAH não diagnosticado na infância buscam tratamento devido a dificuldades persistentes em diversas áreas da vida.

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