Transtorno de Compulsão Alimentar: Diagnóstico em Adolescentes

ENARE/ENAMED — Prova 2023

Enunciado

Os pais de uma adolescente relatam ao seu pediatra, na ausência da paciente, que estão percebendo que ela tem mudado o comportamento alimentar. Viram, por diversas vezes, que estava comendo escondida, muito rapidamente e em grandes quantidades. Referem que ela tem vergonha quando é vista nessa situação, que demonstra tristeza após alimentar-se e que, muito frequentemente, come até se sentir desconfortável. Das seguintes condições, qual é a mais provável, baseando-se apenas no relato dos pais?

Alternativas

  1. A) Anorexia nervosa.
  2. B) Bulimia.
  3. C) Transtorno alimentar restritivo evitativo.
  4. D) Compulsão alimentar.
  5. E) Ortorexia.

Pérola Clínica

Comer grandes quantidades rapidamente, escondido, com vergonha e sofrimento, sem purgação = Transtorno de Compulsão Alimentar.

Resumo-Chave

O Transtorno de Compulsão Alimentar (TCA) é caracterizado por episódios recorrentes de ingestão de grandes quantidades de alimentos em um curto período, acompanhados de sensação de perda de controle e sofrimento significativo. A ausência de comportamentos compensatórios inadequados (como vômitos ou uso de laxantes) o diferencia da bulimia nervosa.

Contexto Educacional

O Transtorno de Compulsão Alimentar (TCA) é um transtorno alimentar caracterizado por episódios recorrentes de ingestão de grandes quantidades de alimentos em um período discreto de tempo, acompanhados de uma sensação de perda de controle sobre o que ou o quanto se come. É o transtorno alimentar mais comum, afetando uma parcela significativa da população, incluindo adolescentes, e frequentemente está associado a sobrepeso ou obesidade. A importância clínica reside no impacto negativo na saúde física e mental dos indivíduos. A fisiopatologia do TCA é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, psicológicos (como baixa autoestima, depressão, ansiedade) e ambientais. Os critérios diagnósticos do DSM-5 incluem episódios de compulsão alimentar que ocorrem pelo menos uma vez por semana por três meses, associados a pelo menos três das seguintes características: comer muito mais rápido que o normal, comer até se sentir desconfortavelmente cheio, comer grandes quantidades de alimentos quando não se sente fisicamente com fome, comer sozinho por vergonha da quantidade e sentir-se enojado consigo mesmo, deprimido ou muito culpado depois. É crucial a ausência de comportamentos compensatórios regulares para diferenciá-lo da bulimia nervosa. O tratamento do TCA é complexo e geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a modalidade de psicoterapia mais estudada e eficaz. Medicamentos como antidepressivos (inibidores seletivos de recaptação de serotonina) e o estimulante lisdexanfetamina podem ser utilizados em casos específicos. O prognóstico melhora com o diagnóstico e tratamento precoces, visando não apenas a redução dos episódios de compulsão, mas também a melhora da imagem corporal e da saúde mental geral.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para diagnosticar o Transtorno de Compulsão Alimentar?

Os critérios incluem episódios recorrentes de compulsão alimentar (ingestão de grande quantidade de comida em curto tempo com perda de controle), associados a pelo menos três características como comer muito mais rápido, até se sentir desconfortavelmente cheio, grandes quantidades sem fome física, comer sozinho por vergonha, e sentir-se enojado, deprimido ou culpado depois. Não há comportamentos compensatórios regulares.

Como diferenciar o Transtorno de Compulsão Alimentar da Bulimia Nervosa?

A principal diferença reside na presença de comportamentos compensatórios. Na bulimia nervosa, os episódios de compulsão alimentar são seguidos por comportamentos compensatórios inadequados (vômitos autoinduzidos, uso de laxantes, diuréticos, exercício excessivo). No Transtorno de Compulsão Alimentar, esses comportamentos estão ausentes.

Quais são os riscos associados ao Transtorno de Compulsão Alimentar em adolescentes?

Adolescentes com TCA podem desenvolver obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemia, além de problemas de saúde mental como depressão, ansiedade, baixa autoestima e isolamento social. O tratamento precoce é fundamental.

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