HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Homem de 21 anos, estudante do primeiro ano de engenharia, comparece à consulta na Unidade Básica de Saúde, acompanhado pelos pais. Explica que tem tido dificuldades nas apresentações de trabalhos na faculdade e que já perdeu a esperança em fazer o curso, mas “não tem coragem de desistir”. Relata que, embora goste de socializar com outras pessoas, tem sentido dificuldade de estar em locais com muitas pessoas, tem ficado muito ansioso ao tentar convidar colegas para sair e admitiu que com alguma frequência consome álcool em quantidade excessiva, para superar a timidez. Mas se sente mal ao fazer isso, porque “às vezes diz coisas sem sentido, as pessoas ficam me olhando e tiram sarro”. Informa ainda que pesquisou sobre seus sintomas na internet e acha que pode ser esquizofrenia. Ao ser indagado, relata que já pensou em morrer há cerca de um mês, mas que jamais faria isso para não magoar sua família. Nega ter alterações de sono, ganhou peso significativamente no último ano. Os pais reforçam a questão do isolamento social, contando que passa o dia no computador e foi reprovado em todas as matérias. Aos 13 anos, fez acompanhamento psicológico por recusa escolar, mas na ocasião não necessitou tratamento farmacológico. O exame físico está dentro da normalidade. O tratamento mais indicado neste momento é:
Ansiedade social + uso de álcool para timidez + sintomas depressivos → Transtorno de Ansiedade Social. ISRS é 1ª linha.
O paciente apresenta um quadro clássico de Transtorno de Ansiedade Social, agravado pelo uso de álcool como automedicação e sintomas depressivos secundários. A ideação suicida passiva reforça a necessidade de intervenção. Citalopram, um ISRS, é a primeira linha de tratamento para transtornos de ansiedade e depressão, sendo a escolha mais adequada neste momento.
O Transtorno de Ansiedade Social, ou Fobia Social, é um transtorno de ansiedade comum, caracterizado por medo intenso e persistente de situações sociais onde o indivíduo pode ser exposto ao escrutínio de outros. Afeta significativamente a qualidade de vida, desempenho acadêmico e profissional, e pode levar a comorbidades como depressão e transtorno do uso de álcool, como visto no caso. É crucial para residentes reconhecerem essa condição precocemente para evitar a progressão e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento disfuncionais. A fisiopatologia envolve uma interação complexa de fatores genéticos, ambientais e neurobiológicos, com disfunções em circuitos cerebrais relacionados ao medo e à regulação emocional. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou CID-11, e deve-se suspeitar em jovens com isolamento social, dificuldades acadêmicas e uso de substâncias para lidar com a timidez. É fundamental descartar outras condições psiquiátricas, como transtornos psicóticos, que podem ter apresentações iniciais semelhantes, mas com características distintas. O tratamento de primeira linha inclui a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e a farmacoterapia com Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), como o Citalopram. A combinação de ambas as abordagens geralmente oferece os melhores resultados. O prognóstico é favorável com tratamento adequado, mas a falta de intervenção pode levar à cronicidade e a um impacto significativo na vida do paciente. O manejo deve ser holístico, abordando também as comorbidades e oferecendo suporte psicossocial.
O Transtorno de Ansiedade Social é caracterizado por medo ou ansiedade acentuados em situações sociais, com receio de ser avaliado negativamente. As situações sociais são evitadas ou suportadas com intensa ansiedade, e o medo é desproporcional à ameaça real, causando sofrimento significativo ou prejuízo funcional.
O Citalopram, um Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina (ISRS), é considerado a primeira linha de tratamento farmacológico para o Transtorno de Ansiedade Social e sintomas depressivos. Ele atua regulando a serotonina no cérebro, ajudando a reduzir a ansiedade e melhorar o humor, com um perfil de segurança favorável.
A diferenciação é crucial. Enquanto a ansiedade social envolve medo de julgamento em situações sociais, a esquizofrenia apresenta sintomas psicóticos como delírios, alucinações e desorganização do pensamento, que não estão presentes no caso descrito. A ideação suicida e o isolamento social podem ocorrer em ambos, mas a natureza do sofrimento é distinta.
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