Transtorno de Ansiedade Generalizada: Diagnóstico e Manejo

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023

Enunciado

Carla, 31 anos, natural do Pará, vendedora de loja, divorciada há 2 anos, vive com o filho de 3 anos em Florianópolis, há 5 anos. Procurou atendimento com desejo de realizar exames, pois há cerca de 6 meses vem sentindo insônia e irritabilidade, palpitações cardíacas, tremores. Conta que tem se sentido cansada e sobrecarregada, que ajuda financeiramente a mãe no Pará e que o ex-marido não contribui no cuidado do filho. Está com medo pois o movimento na loja não anda bem e duas colegas foram demitidas. Sobre o caso a seguir, trata-se provavelmente de um:

Alternativas

  1. A) Transtorno de agorafobia e o uso de benzodiazepínicos deve ser considerado como primeira escolha por causa da insônia.
  2. B) Transtorno de estresse pós-traumático e medicamentos como tricíclicos estão indicadas como primeira linha.
  3. C) Transtorno de ansiedade generalizada e medidas não farmacológicas como psicoterapia, atividade física ou meditações estão indicadas.
  4. D) Transtorno depressivo e medicamentos como inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) estão indicados para irritabilidade.

Pérola Clínica

Estresse crônico + insônia, irritabilidade, palpitações, fadiga > 6 meses = TAG. Psicoterapia/exercício 1ª linha.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas de ansiedade difusa e persistente (insônia, irritabilidade, palpitações, tremores, fadiga) por mais de 6 meses, associados a múltiplas preocupações e estressores, o que é característico do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). As medidas não farmacológicas são a primeira linha de tratamento.

Contexto Educacional

O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é uma condição psiquiátrica comum, caracterizada por preocupação excessiva e incontrolável sobre diversos aspectos da vida, que persiste por pelo menos seis meses. Diferente de outros transtornos de ansiedade, o TAG não está ligado a um objeto ou situação específica, mas sim a uma ansiedade difusa e constante. Sua prevalência é significativa na população geral, e é frequentemente comórbido com outros transtornos de ansiedade e depressão. A fisiopatologia do TAG envolve desregulação de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e GABA, além de alterações em circuitos cerebrais relacionados ao medo e à ansiedade. Clinicamente, os pacientes apresentam sintomas como insônia, irritabilidade, fadiga, tensão muscular, dificuldade de concentração, e sintomas somáticos como palpitações e tremores. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou CID-10, e requer uma avaliação cuidadosa para excluir outras condições médicas ou psiquiátricas que possam mimetizar os sintomas. O tratamento do TAG é multifacetado e pode incluir abordagens farmacológicas e não farmacológicas. As medidas não farmacológicas, como a psicoterapia (especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental - TCC), a prática regular de atividade física, técnicas de relaxamento (meditação, yoga) e a promoção de uma boa higiene do sono, são consideradas de primeira linha e podem ser muito eficazes. Quando a farmacoterapia é necessária, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) são as opções de primeira escolha, com benzodiazepínicos sendo reservados para uso a curto prazo devido ao risco de dependência. Para residentes, é fundamental uma abordagem holística, considerando os múltiplos estressores psicossociais que contribuem para o quadro e oferecendo um plano de tratamento individualizado.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)?

O TAG é caracterizado por ansiedade e preocupação excessivas e persistentes sobre vários eventos ou atividades, ocorrendo na maioria dos dias por pelo menos 6 meses. A preocupação é difícil de controlar e está associada a três ou mais dos seguintes sintomas: inquietação, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular e perturbação do sono.

Quais são as medidas não farmacológicas de primeira linha para o tratamento do TAG?

As medidas não farmacológicas incluem psicoterapia (especialmente Terapia Cognitivo-Comportamental - TCC), atividade física regular, técnicas de relaxamento (meditação, mindfulness), higiene do sono e manejo do estresse. Essas abordagens são eficazes e frequentemente recomendadas como primeira linha ou em combinação com farmacoterapia.

Como o estresse crônico contribui para o desenvolvimento do TAG?

O estresse crônico, como o vivenciado pela paciente (problemas financeiros, sobrecarga parental, insegurança no trabalho), pode sobrecarregar os mecanismos de enfrentamento do indivíduo, levando a uma ativação prolongada do sistema nervoso autônomo e à manifestação de sintomas de ansiedade persistentes, que podem evoluir para um TAG.

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