HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025
Homem, de 54 anos de idade, comparece a consulta na Unidade Básica de Saúde por se sentir sempre cansado durante o dia. Relata que cochila no trabalho e toma vários cafés por dia para ficar acordado. Já cochilou em conversas com amigos e sentado na sala de espera da consulta. Deita-se às 22 horas, demora 10 minutos para dormir, ronca alto, acorda duas a três vezes à noite e se levanta às 6 horas, com sensação de sono insuficiente. A esposa relata ter observado episódios em que parecia ""estar sufocando"" à noite. Tem antecedente de hipertensão arterial sistêmica e sobrepeso. O paciente relata sensação de tensão muscular constante e de "nervos à flor da pele", preocupa-se de maneira excessiva e desproporcional com situações cotidianas. Quando está mais nervoso, come mais alimentos calóricos e às vezes tem urgência evacuatória quando está em um ambiente mais "tenso". Por esse motivo e pelas queixas de sono, começou a utilizar zolpidem 10mg à noite para dormir, progredindo para utilizar durante o dia. Hoje, usa 2 comprimidos de manhã e 4 comprimidos à noite. Qual é a conduta correta para este paciente?
TAG + Dependência de Zolpidem → Iniciar ISRS (Escitalopram) + Desmame gradual do hipnótico.
O paciente apresenta um quadro de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) com uso abusivo de zolpidem. O tratamento padrão-ouro envolve o uso de ISRS e a redução lenta do hipnótico para evitar síndrome de abstinência.
O caso clínico ilustra a complexidade do manejo de pacientes com comorbidades psiquiátricas e distúrbios do sono na Atenção Primária. O paciente apresenta sintomas clássicos de Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), como roncos e sonolência excessiva diurna, agravados pelo sobrepeso. Simultaneamente, o quadro de preocupação excessiva e sintomas somáticos (urgência evacuatória, tensão) configura o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). A dependência de zolpidem é um problema crescente. Embora comercializado como mais seguro que benzodiazepínicos, o uso em doses supra-terapêuticas e durante o dia indica tolerância e dependência. A conduta correta foca em tratar a etiologia da ansiedade com escitalopram e realizar o desmame seguro da substância de abuso, evitando a sedação excessiva que pioraria a AOS.
O paciente já apresenta sinais de dependência de hipnóticos (Zolpidem) e possui suspeita clínica de Apneia Obstrutiva do Sono (roncos, sonolência diurna, episódios de sufocamento). O uso de benzodiazepínicos pode agravar a apneia do sono devido ao relaxamento muscular da via aérea superior e depressão respiratória, além de manter o ciclo de dependência química.
A primeira linha de tratamento farmacológico para o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) são os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), como o escitalopram ou a sertralina, devido ao seu perfil de eficácia e segurança a longo prazo, sem risco de dependência.
O desmame deve ser gradual, geralmente reduzindo a dose em 25% a cada 1 ou 2 semanas, dependendo da tolerância do paciente. Em casos de doses muito altas, pode-se considerar a conversão para um benzodiazepínico de meia-vida longa para posterior retirada, mas no contexto de atenção primária e comorbidades, a redução lenta da própria droga é a estratégia inicial comum.
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