SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Menina, 9 anos de idade, há 8 meses não quer viajar de avião nas férias programadas porque teme que seu irmão vomite perto dela. O irmão de 6 anos de idade teve coqueluche aos 4 anos e vomitava após crises de tosse, com alguma frequência. Está no 4º ano do ensino fundamental, tem bom aproveitamento, conversa pouco, tem alguns amigos. Pratica natação 1 vez por semana, experimentou balé, circo e teatro, mas não se adaptou. Tem alimentação regular, a mãe precisa se deitar ao seu lado até adormecer. Entre 4 e 5 horas vai para a cama dos pais. O diagnóstico provável para o quadro é um transtorno:
Medos persistentes + prejuízo funcional + dependência do sono → Transtorno de Ansiedade.
A ansiedade na infância frequentemente se manifesta como medos específicos, inibição social e dificuldades na autonomia do sono, sem necessariamente apresentar comportamentos desafiadores.
Os transtornos de ansiedade são as psicopatologias mais comuns na infância e adolescência. Eles englobam a ansiedade de separação, fobia social, fobia específica e transtorno de ansiedade generalizada. O quadro clínico da paciente de 9 anos é emblemático: apresenta evitação fóbica (viagem de avião por medo de vômito), inibição social moderada e dependência dos pais para o sono. Diferente dos transtornos disruptivos (como o Transtorno de Conduta ou o Transtorno Desafiador Opositor), onde o foco é a externalização de conflitos e agressividade, a ansiedade manifesta-se por internalização, sofrimento psíquico e limitação da autonomia. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a cronicidade e o prejuízo no desenvolvimento acadêmico e social.
O Transtorno de Ansiedade é caracterizado por medo, preocupação excessiva e evitação de estímulos fóbicos, muitas vezes acompanhados de sintomas somáticos e necessidade de reasseguramento (como dormir com os pais). Já o Transtorno de Oposição Desafiante (TOD) foca em um padrão de humor irritável, comportamento questionador e vingativo contra figuras de autoridade. No caso clínico, a criança é descrita como tendo bom aproveitamento e poucos amigos, mas sem comportamentos de confronto ou violação de regras sociais.
A emetofobia é o medo intenso e irracional de vomitar ou de ver outros vomitando. Na infância, isso pode levar a comportamentos de evitação significativos, como recusar viagens, evitar certos alimentos ou locais onde alguém já passou mal. No caso apresentado, o trauma indireto (ver o irmão vomitar por coqueluche) desencadeou uma fobia específica relacionada a viagens de avião, um componente comum dos transtornos de ansiedade infantis.
Dificuldades no sono, como a incapacidade de adormecer sem a presença dos pais ou a ida frequente para a cama do casal durante a noite, são marcadores comuns de ansiedade de separação ou insegurança emocional. Embora façam parte do desenvolvimento normal em idades precoces, a persistência desses comportamentos aos 9 anos, associada a outros medos, reforça a hipótese de um transtorno de ansiedade que requer intervenção psicoterapêutica.
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