Transtorno Afetivo Bipolar: Diagnóstico e Manejo da Mania

SMS Campo Grande - Secretaria Municipal de Saúde (MS) — Prova 2023

Enunciado

Um estudante de biologia de 24 anos de idade é trazido por sua mãe e seu irmão ao pronto-socorro. Nas últimas duas semanas, o estudante tem ficado progressivamente mais agitado, inquieto, dormindo menos e falando rápido, às vezes difícil de entender. Há dois dias começou a falar que descobriu a cura para a covid-19, tendo enviado várias mensagens eletrônicas para diferentes jornais, instituições públicas e embaixadas. Diz agora que aguarda a ligação de ministros da saúde de vários países para conversar sobre sua descoberta. Quando questionado pelo irmão sobre esses fatos, ficou muito irritado e tentou agredi-lo fisicamente. A família diz que o paciente sempre foi estudioso, trabalhador, carinhoso com os pais e é amigo do irmão. Aos 20 anos de idade, apresentou quadro depressivo e foi tratado com medicamento, cujo nome os familiares não se recordam. Não há antecedentes familiares mórbidos relevantes. Qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Transtorno Obsessivo Compulsivo.
  2. B) Esquizofrenia Hebefrênica.
  3. C) Transtorno Afetivo Bipolar.
  4. D) Transtorno de Personalidade.

Pérola Clínica

Episódio maníaco com sintomas psicóticos + histórico depressivo = Transtorno Afetivo Bipolar tipo I.

Resumo-Chave

O quadro clínico de euforia, agitação, taquipsiquismo e delírios de grandeza, somado ao histórico de episódio depressivo, é altamente sugestivo de Transtorno Afetivo Bipolar tipo I. A presença de sintomas psicóticos indica a gravidade do episódio maníaco.

Contexto Educacional

O Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) é uma doença crônica caracterizada por flutuações de humor, alternando entre episódios de mania (ou hipomania) e depressão. Afeta cerca de 1-2% da população, com início geralmente na adolescência ou início da vida adulta. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações e melhorar o prognóstico, sendo um tema frequente em provas de residência médica. A fisiopatologia do TAB envolve desregulação de neurotransmissores (dopamina, serotonina, noradrenalina), alterações estruturais e funcionais cerebrais, e fatores genéticos. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, que exigem um período distinto de humor anormalmente elevado, expansivo ou irritável, com aumento persistente da atividade ou energia, durando pelo menos uma semana e presente na maior parte do dia, quase todos os dias. Sintomas como taquipsiquismo, diminuição da necessidade de sono, delírios de grandeza e agitação psicomotora são marcadores importantes. O tratamento do episódio maníaco agudo geralmente envolve estabilizadores de humor (lítio, valproato, carbamazepina) e antipsicóticos atípicos. A psicoterapia é um adjuvante importante na fase de manutenção. O prognóstico é variável, mas com tratamento adequado, muitos pacientes conseguem levar uma vida funcional. É essencial estar atento aos diagnósticos diferenciais, como esquizofrenia, transtorno de personalidade borderline e uso de substâncias.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas de um episódio maníaco no Transtorno Afetivo Bipolar?

Os principais sintomas incluem humor elevado ou irritável, aumento da energia, diminuição da necessidade de sono, taquipsiquismo, fuga de ideias, agitação psicomotora e, em casos graves, delírios ou alucinações.

Como diferenciar um episódio maníaco de esquizofrenia quando há sintomas psicóticos?

A diferenciação reside na natureza dos sintomas e no curso da doença. No transtorno bipolar, os sintomas psicóticos são congruentes com o humor (ex: delírios de grandeza na mania) e há um histórico de episódios de humor (depressão ou mania), enquanto na esquizofrenia, os sintomas psicóticos são mais persistentes e incongruentes com o humor.

Qual a importância do histórico de depressão para o diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar?

O histórico de pelo menos um episódio depressivo maior, juntamente com um episódio maníaco, é fundamental para o diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar tipo I, diferenciando-o de um episódio maníaco isolado ou de outros transtornos psicóticos.

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