HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Mulher, 35 anos, desde a adolescência fez seguimento psiquiátrico para sintomas depressivos na unidade básica de saúde. A medicação de uso contínuo era sertralina 50 mg/dia, mas devido queixas de ansiedade exacerbada, a médica da saúde da família optou pela troca por fluoxetina 40 mg/dia. Evoluiu com quadro de irritabilidade, aumento de fala, agitação, dificuldade de conciliar o sono, realizando lives nas redes sociais. Também começou a brigar com seu esposo por dizer que ele estava muito ciumento, e que havia sido convidada para ser a atriz principal de uma nova novela de uma emissora de televisão. Como recusava veementemente retornar em sua médica, foi necessária uma internação psiquiátrica. Ficou 60 dias internada. Qual o diagnóstico no relatório de alta do hospital?
Sintomas maníacos/psicóticos após antidepressivo em depressivo → Transtorno Bipolar Tipo 1.
A ocorrência de um episódio maníaco completo, com sintomas como irritabilidade, aumento da fala, agitação, insônia e delírios de grandeza, especialmente após a introdução ou troca de um antidepressivo em um paciente com histórico de depressão, é altamente sugestiva de Transtorno Afetivo Bipolar Tipo 1. A presença de sintomas psicóticos (delírios) confirma a gravidade do episódio.
O Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) é uma condição psiquiátrica crônica caracterizada por flutuações de humor que variam de episódios depressivos a episódios maníacos ou hipomaníacos. O diagnóstico correto é fundamental, pois o tratamento difere significativamente do transtorno depressivo maior unipolar. A questão ilustra um cenário clássico de "virada maníaca" induzida por antidepressivos, um evento que frequentemente revela a natureza bipolar da doença. No caso apresentado, a paciente, com histórico de depressão, desenvolve sintomas como irritabilidade, aumento da fala, agitação, insônia e delírios de grandeza após a troca de antidepressivo. Esses sintomas são consistentes com um episódio maníaco completo, e a presença de delírios indica características psicóticas. A ocorrência de um episódio maníaco completo é o critério definidor para o Transtorno Afetivo Bipolar Tipo 1. É crucial diferenciar este quadro de outras condições como transtorno depressivo maior com sintomas psicóticos (onde a psicose ocorre apenas no contexto depressivo) ou esquizofrenia (que tem um curso mais crônico e sintomas psicóticos primários sem a ciclicidade de humor). A história clínica detalhada, incluindo a resposta a medicamentos e a presença de episódios anteriores de humor elevado, é essencial para um diagnóstico preciso e para evitar tratamentos inadequados que podem piorar o curso da doença.
Um episódio maníaco é caracterizado por um período distinto de humor anormalmente e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, e aumento anormal e persistente da atividade ou energia, durando pelo menos uma semana, com pelo menos três (ou quatro se o humor for apenas irritável) sintomas específicos, como autoestima inflada, diminuição da necessidade de sono, loquacidade, fuga de ideias, distratibilidade, aumento da atividade dirigida a objetivos ou agitação psicomotora, e envolvimento excessivo em atividades prazerosas com alto potencial para consequências dolorosas.
Em indivíduos com predisposição ao transtorno bipolar, a introdução de antidepressivos pode precipitar um episódio maníaco ou hipomaníaco, revelando a polaridade da doença e auxiliando no diagnóstico retrospectivo de Transtorno Afetivo Bipolar.
O Transtorno Bipolar Tipo 1 envolve a ocorrência de pelo menos um episódio maníaco completo, que pode ou não ser seguido por episódios depressivos. O Transtorno Bipolar Tipo 2 envolve a ocorrência de pelo menos um episódio hipomaníaco (menos grave que a mania) e pelo menos um episódio depressivo maior, sem nunca ter tido um episódio maníaco completo.
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