UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023
Um técnico de enfermagem de 22 anos de idade foi levado por seu pai à Unidade de pronto atendimento. Nas últimas 2 semanas o estudante tem ficado progressivamente com agitação psicomotora, dormindo menos e falando rápido, às vezes difícil de entender. Há três dias começou a falar que descobriu a cura da COVID 19, tendo enviado várias mensagens eletrônicas para diferentes jornais e instituições públicas. Diz agora que aguarda a ligação dos presidentes de vários países para conversar sobre a sua descoberta. Quando questionado por seu pai sobre esses fatos, ficou muito irritado e o agrediu fisicamente. A família diz que o paciente sempre foi estudioso, trabalhador, carinhoso com os pais e é amigo do pai. Aos 20 anos de idade, apresentou quadro depressivo e foi tratado com medicamento, cujo nome os familiares não se recordam. Não há antecedentes familiares mórbidos relevantes. A principal hipótese diagnóstica, neste caso, é:
TAB Tipo I = Mania (com/sem psicose) + Episódios depressivos. Delírios de grandeza na mania são comuns.
O Transtorno Afetivo Bipolar Tipo I é caracterizado pela ocorrência de pelo menos um episódio maníaco completo, que pode incluir sintomas psicóticos como delírios de grandeza, além de episódios depressivos. A agitação psicomotora, insônia e fala rápida são típicos da mania.
O Transtorno Afetivo Bipolar Tipo I (TAB Tipo I) é uma condição psiquiátrica crônica caracterizada pela alternância de episódios de mania (ou mistos) e depressão. Sua prevalência é de aproximadamente 1% na população geral, sendo crucial o reconhecimento precoce para um manejo adequado e prevenção de complicações. A apresentação clínica pode ser dramática, como no caso descrito, com delírios e agitação. A fisiopatologia do TAB Tipo I envolve desregulação de neurotransmissores (dopamina, serotonina, noradrenalina), circuitos neurais e fatores genéticos. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, exigindo pelo menos um episódio maníaco. A suspeita deve surgir diante de quadros de humor elevado, irritabilidade, diminuição da necessidade de sono, logorreia, fuga de ideias, aumento da atividade e, em casos graves, sintomas psicóticos como delírios de grandeza ou persecutórios. O tratamento do TAB Tipo I é complexo e multifacetado, envolvendo estabilizadores de humor (lítio, valproato, lamotrigina), antipsicóticos atípicos (para sintomas psicóticos e mania aguda) e antidepressivos (com cautela, para evitar virada maníaca). A psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental, também é fundamental. O prognóstico melhora significativamente com o tratamento contínuo, mas a adesão e o manejo das comorbidades são desafios importantes.
O diagnóstico requer a ocorrência de pelo menos um episódio maníaco, caracterizado por humor elevado ou irritável, aumento da energia e atividade, e pelo menos três sintomas específicos por uma semana ou mais, com impacto funcional significativo.
No episódio maníaco com psicose, os delírios e alucinações são geralmente congruentes com o humor (ex: delírios de grandeza na mania), enquanto na esquizofrenia, os sintomas psicóticos são mais persistentes e não necessariamente ligados a alterações de humor.
Embora um único episódio maníaco seja suficiente para o diagnóstico de TAB Tipo I, a presença de episódios depressivos anteriores ou subsequentes é comum e reforça o padrão cíclico da doença.
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