Mania Induzida por Corticoide: Diagnóstico e Manejo

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 44 anos, iniciou com sintomas gripais e testou positivo para COVID-19. O médico prescreveu corticoide no oitavo dia. O paciente evoluiu bem dos sintomas; entretanto, a família percebeu alteração de comportamento, como euforia, gastos acima do habitual e diminuição do sono. Além disso, envolveu-se em terapias alternativas de cunho místico, fora de seu contexto cultural. Havia usado o corticoide sete dias além do que foi prescrito. Tem história de transtorno bipolar tipo I na família materna em dois tios irmãos de sua mãe e um deles cometeu suicídio há 10 anos. O paciente, apesar de eufórico e taquilálico, estava cordial e cooperativo. Foi prescrito haloperidol 5 mg/dia via oral e resguardo em casa sob supervisão da família. Após 15 dias, estava em remissão dos sintomas. Em relação ao caso clínico, afirma-se: I. O diagnóstico é de transtorno afetivo bipolar I induzido pelo uso de corticoide e justificado por sua história familiar. II. A prescrição de lítio está indicada para prevenir novos surtos, já que, a cada surto, o paciente sofre danos neuronais e consequente prejuízo neuropsiquiátrico progressivo. III. O quadro maníaco foi induzido provavelmente pelo corticoide, e o paciente deve ser mantido em acompanhamento psiquiátrico para que seja observada a evolução na linha do tempo. Está/Estão correta(s) apenas a(s) alternativa(s)

Alternativas

  1. A) I.
  2. B) III.
  3. C) I e II.
  4. D) II e II.

Pérola Clínica

Corticoide pode induzir mania em pacientes com predisposição genética para transtorno bipolar; monitoramento psiquiátrico é crucial.

Resumo-Chave

O uso de corticoides, especialmente em doses elevadas ou por tempo prolongado, pode desencadear episódios maníacos em indivíduos com vulnerabilidade genética para transtorno bipolar. A história familiar positiva é um forte indicativo dessa predisposição. O tratamento inicial foca na estabilização aguda e posterior acompanhamento para avaliar a necessidade de profilaxia.

Contexto Educacional

O transtorno afetivo bipolar induzido por substâncias, como os corticoides, é uma condição psiquiátrica relevante, especialmente em contextos clínicos onde esses medicamentos são amplamente utilizados. A prevalência de episódios maníacos induzidos por corticoides pode variar, mas é um risco conhecido, principalmente em indivíduos com vulnerabilidade genética pré-existente, como história familiar de transtorno bipolar. É crucial que médicos de diversas especialidades estejam atentos a essa possibilidade. A fisiopatologia envolve a modulação de neurotransmissores e sistemas cerebrais pelos corticoides, que podem desestabilizar o humor em indivíduos suscetíveis. O diagnóstico é clínico, baseado na temporalidade do uso do corticoide e no surgimento dos sintomas maníacos, que incluem euforia, irritabilidade, diminuição do sono, aumento da energia e comportamentos impulsivos. A suspeita deve ser alta em pacientes com história familiar de transtorno bipolar. O tratamento agudo visa controlar os sintomas maníacos, frequentemente com antipsicóticos. A descontinuação ou redução do corticoide, se possível, é fundamental. O prognóstico a longo prazo requer acompanhamento psiquiátrico para monitorar a recorrência e avaliar a necessidade de estabilizadores de humor profiláticos, como o lítio, que não são indicados de imediato, mas sim após a observação da evolução do quadro.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de mania induzida por corticoide?

Os sinais incluem euforia, irritabilidade, diminuição da necessidade de sono, aumento da energia, gastos excessivos, taquilalia e envolvimento em atividades de risco, especialmente em pacientes com história de uso de corticoides.

Qual a conduta inicial para um quadro de mania induzida por corticoide?

A conduta inicial envolve a interrupção ou redução gradual do corticoide, se clinicamente possível, e o uso de antipsicóticos para controle dos sintomas agudos, como o haloperidol, sob supervisão médica.

Por que o lítio não é indicado imediatamente para prevenção de surtos neste caso?

Embora o lítio seja um estabilizador de humor eficaz, sua indicação para prevenção de novos surtos deve ser avaliada após a remissão do quadro agudo e observação da evolução do paciente ao longo do tempo, para confirmar a necessidade de profilaxia contínua e não apenas um episódio isolado induzido.

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