PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2022
Um estudante de 26 anos de idade é trazido por sua irmã a emergência. Nas ultimas duas semanas, o estudante tem ficado progressivamente inquieto, agitado, dormindo menos e falando rápido. Há dois dias começou falar que tinha o poder de curar as pessoas apenas pelo pensamento, que iria abrir um hospital para receber pessoas de todo mundo. Quando questionado pela irmã sobre seu poder ficou irritado e tentou agredi-la. A irmã diz que o paciente sempre foi estudioso, trabalhador e carinhoso com amigos e família. Há cerca de 6 anos apresentou quadro depressivo e foi tratado com medicamento, cujo nome irmã não recorda. Qual a principal hipótese diagnostica para o paciente acima?
Mania = humor elevado/irritável + ↑ energia + ↓ sono + delírios de grandeza + histórico depressivo.
O quadro clínico de um estudante que apresenta inquietação progressiva, agitação, diminuição do sono, fala rápida, delírios de grandeza (poder de curar) e irritabilidade, associado a um histórico prévio de episódio depressivo, é altamente sugestivo de um episódio maníaco no contexto de Transtorno Afetivo Bipolar.
O Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) é uma doença mental crônica caracterizada por flutuações extremas de humor, que incluem episódios de mania ou hipomania e episódios depressivos. É uma condição com impacto significativo na vida do indivíduo e de seus familiares, e seu diagnóstico precoce é crucial para um manejo adequado e prevenção de complicações. A prevalência ao longo da vida do TAB tipo I é de aproximadamente 1%. Um episódio maníaco é definido por um período distinto de humor anormalmente e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, e aumento anormal e persistente da atividade ou energia, durando pelo menos uma semana e causando prejuízo funcional significativo. Sintomas comuns incluem autoestima inflada ou delírios de grandeza, diminuição da necessidade de sono, taquilalia, fuga de ideias, distratibilidade, aumento da atividade dirigida a objetivos e envolvimento excessivo em atividades prazerosas com alto potencial para consequências negativas. A presença de um histórico de episódios depressivos anteriores é um forte indicativo de TAB. O diagnóstico diferencial é amplo e inclui outros transtornos psicóticos (como esquizofrenia), transtornos de personalidade, e condições médicas ou induzidas por substâncias. O tratamento de um episódio maníaco agudo geralmente envolve estabilizadores de humor (como lítio ou valproato) e/ou antipsicóticos. O manejo a longo prazo visa a prevenção de novos episódios e a estabilização do humor, exigindo acompanhamento psiquiátrico contínuo e, muitas vezes, terapia farmacológica de manutenção.
Os critérios incluem um período distinto de humor anormalmente e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, e aumento anormal e persistente da atividade ou energia, durando pelo menos uma semana, acompanhado de três ou mais sintomas específicos (ex: autoestima inflada, diminuição da necessidade de sono, taquilalia, fuga de ideias, distratibilidade, aumento da atividade dirigida a objetivos, envolvimento excessivo em atividades prazerosas com alto potencial para consequências dolorosas).
Embora ambos possam apresentar delírios e alucinações, no episódio maníaco os sintomas psicóticos são geralmente congruentes com o humor (ex: delírios de grandeza na euforia) e há uma clara alteração do humor e da energia. Na esquizofrenia, os sintomas psicóticos são mais persistentes e geralmente não estão ligados a um humor específico, e a desorganização do pensamento é mais proeminente.
O histórico de um episódio depressivo prévio, combinado com um episódio maníaco ou hipomaníaco atual, é fundamental para o diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar, diferenciando-o de um transtorno depressivo maior ou de um episódio maníaco isolado.
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