Manejo da Virada Maníaca no Transtorno Bipolar

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 42 anos de idade comparece em consulta por tristeza, choro, desânimo intenso e falta de prazer em muitas atividades há 2 meses. Relata inapetência, com perda de 5kg nos últimos dois meses, mal consegue levantar da cama de manhã, está faltando ao trabalho e tem deixado de frequentar eventos sociais. Pensa que é um peso para a sua família e tem descuidado da própria higiene, por falta de energia. Tem antecedentes de HAS e dislipidemia. Ao exame físico está com PA 180x110mmHg, restante do exame está normal.Duas semanas após início do tratamento farmacológico, a paciente comparece em consulta dizendo estar “curada de todos os males”, sentindo-se maravilhosamente bem, como nunca havia estado na vida, falando muito rápido e sobre diversos assuntos ao mesmo tempo, chegando a se perder no discurso. Está dormindo cerca de 3 horas por noite e se sentindo renovada, cheia de energia e traçando planos que, segundo ela, iriam mudar o futuro da humanidade. Qual é a conduta neste caso?

Alternativas

  1. A) Suspender a medicação prescrita anteriormente e iniciar clorpromazina 100mg/dia.
  2. B) Suspender a medicação prescrita anteriormente e iniciar carbonato de lítio 600mg/dia.
  3. C) Manter a medicação prescrita anteriormente e iniciar valproato de sódio 500mg/dia.
  4. D) Manter a medicação prescrita anteriormente e prescrever bupropiona 150mg/dia.

Pérola Clínica

Surgimento de mania após antidepressivo → Suspender droga e iniciar estabilizador (Lítio).

Resumo-Chave

A 'virada maníaca' em pacientes tratando depressão sugere Transtorno Bipolar subjacente. O manejo imediato exige a retirada do agente indutor e introdução de estabilizadores de humor.

Contexto Educacional

O Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) frequentemente se manifesta inicialmente como um episódio depressivo, levando ao erro diagnóstico de Depressão Maior Unipolar. O uso de antidepressivos sem a proteção de um estabilizador de humor pode precipitar a virada maníaca, caracterizada por humor expansivo, taquipsiquismo e redução da necessidade de sono. A fisiopatologia envolve uma desregulação nos sistemas de neurotransmissores, especialmente dopamina e glutamato. O tratamento de escolha envolve a suspensão do antidepressivo e a introdução de Lítio, que atua modulando vias de sinalização intracelular e promovendo neuroproteção. É fundamental monitorar a litemia para garantir eficácia terapêutica e evitar toxicidade.

Perguntas Frequentes

O que define uma virada maníaca?

A virada maníaca é a indução de sintomas de mania ou hipomania (euforia, logorreia, redução da necessidade de sono, grandiosidade) em um paciente previamente diagnosticado com depressão unipolar, geralmente após o início de antidepressivos. No DSM-5, se os sintomas persistirem além do efeito fisiológico da droga, o diagnóstico de Transtorno Bipolar é confirmado.

Por que o Lítio é a primeira escolha?

O Carbonato de Lítio é o padrão-ouro como estabilizador de humor, eficaz tanto na fase de mania quanto na prevenção de novos episódios e redução do risco de suicídio. Em casos de mania aguda grave, pode ser associado a antipsicóticos, mas a base do tratamento a longo prazo envolve a estabilização com Lítio ou Valproato.

Qual o risco de manter o antidepressivo?

Manter o antidepressivo durante um episódio de mania pode exacerbar a agitação psicomotora, aumentar a velocidade de ciclagem entre polos e dificultar a remissão dos sintomas maníacos. A conduta prioritária é a interrupção imediata da substância indutora para permitir que o estabilizador de humor atue adequadamente.

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