Câncer e Saúde Mental: O Transtorno de Adaptação Mais Comum

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Quando uma pessoa toma conhecimento de que é portadora de câncer, várias reações psicológicas surgem. Entre essas reações, são comuns o medo da morte, o medo de desfiguramento e de incapacidade, medo de abandono e perda da autonomia, negação, ansiedade, raiva e culpa. Aproximadamente, metade dos pacientes com câncer apresenta transtornos mentais. Considerando-se o exposto, assinalar a alternativa que apresenta o transtorno mais comum nesse caso:

Alternativas

  1. A) Transtorno de adaptação.
  2. B) Transtorno depressivo.
  3. C) Delirium.
  4. D) Transtorno de ansiedade social.

Pérola Clínica

Pacientes com câncer → Transtorno de adaptação é o transtorno mental mais comum.

Resumo-Chave

O diagnóstico de câncer é um evento estressor significativo, levando a reações emocionais intensas. O transtorno de adaptação é a resposta psicológica mais frequente, caracterizada por sintomas emocionais ou comportamentais em resposta a um estressor identificável, que ocorrem dentro de 3 meses do início do estressor e causam sofrimento significativo ou prejuízo funcional.

Contexto Educacional

O diagnóstico de câncer é um evento de vida altamente estressor, desencadeando uma cascata de reações psicológicas que podem variar de negação e raiva a ansiedade e depressão. Aproximadamente metade dos pacientes oncológicos desenvolverá algum tipo de transtorno mental, sendo o transtorno de adaptação o mais comum. Este transtorno é caracterizado por sintomas emocionais ou comportamentais que surgem em resposta a um estressor identificável, como o diagnóstico e tratamento do câncer, e que causam sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional. A fisiopatologia envolve a incapacidade do indivíduo de se adaptar de forma saudável a uma nova e desafiadora situação. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, que incluem o início dos sintomas dentro de três meses do estressor e a resolução em seis meses após a remissão do estressor ou o desenvolvimento de novas habilidades de enfrentamento. É crucial diferenciar o transtorno de adaptação de outras condições como depressão maior ou transtornos de ansiedade primários, que exigem abordagens terapêuticas distintas. O tratamento do transtorno de adaptação em pacientes com câncer geralmente envolve psicoterapia, como terapia cognitivo-comportamental, e suporte psicossocial. Em alguns casos, pode ser indicada medicação ansiolítica ou antidepressiva para alívio sintomático. O reconhecimento e manejo adequados desses transtornos são fundamentais para melhorar a qualidade de vida do paciente, otimizar a adesão ao tratamento oncológico e promover um melhor prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas do transtorno de adaptação em pacientes com câncer?

Os sintomas incluem humor deprimido, ansiedade, perturbação da conduta, ou uma combinação desses, que surgem em resposta ao estressor (diagnóstico de câncer) e causam sofrimento ou prejuízo funcional significativos.

Como diferenciar transtorno de adaptação de depressão maior em pacientes oncológicos?

A principal diferença reside na intensidade e duração dos sintomas, e na relação temporal com o estressor. No transtorno de adaptação, os sintomas são uma resposta direta ao câncer e geralmente menos graves que na depressão maior, que pode ter critérios mais amplos e persistentes.

Qual a importância do diagnóstico precoce do transtorno de adaptação em oncologia?

O diagnóstico precoce permite intervenções psicoterapêuticas e, se necessário, farmacológicas, melhorando a qualidade de vida do paciente, a adesão ao tratamento oncológico e o prognóstico geral.

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