CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Ao usar um refratômetro de Greens trazido dos Estados Unidos, um residente percebe que seus pacientes com astigmatismo voltam reclamando que os óculos não ficaram bons, com visão bastante reduzida. Um dos pacientes recebeu a seguinte prescrição: + 1,50 DE - 2,00 DC x 180º, não atingindo visão melhor que 0,1 com os óculos novos. Na anotação do prontuário, a visão era 1,0 com a refração. Considerando que não existe doença ocular além do erro refracional e o aparelho não apresenta defeito, a provável prescrição correta deve ser:
Transposição: Novo Esférico = Esf + Cil; Novo Cilindro = -Cil; Novo Eixo = Eixo ± 90°.
Erros na conversão entre cilindros positivos e negativos ao usar refratômetros de diferentes convenções (como o Greens) causam distorções visuais graves.
A óptica oftálmica exige precisão na manipulação de fórmulas refracionais. O refratômetro de Greens é uma ferramenta clássica, mas sua operação requer que o examinador compreenda a convenção de sinais utilizada pelo equipamento. A maioria dos aparelhos modernos e a preferência cirúrgica (como no planejamento de catarata) utilizam o cilindro negativo, enquanto a óptica de óculos pode variar. A falha em transpor corretamente não é apenas um erro administrativo, mas um erro óptico que altera o equivalente esférico e a orientação do astigmatismo. Na prática clínica, o residente deve sempre verificar se o valor anotado no prontuário está na mesma convenção que a receita entregue ao paciente. A transposição garante que, independentemente de como a lente é fabricada ou medida, o efeito óptico final sobre o olho do paciente seja o mesmo. Dominar essa técnica é essencial para evitar queixas de 'óculos errados' e garantir a satisfação do paciente em casos de astigmatismos moderados a altos, onde pequenos erros de eixo ou sinal são amplificados.
O refratômetro de Greens, também conhecido como foróptero manual, é o instrumento padrão para refração subjetiva. Existem dois modelos principais: o de cilindro positivo e o de cilindro negativo. O modelo trazido dos Estados Unidos (Greens original da Bausch & Lomb) utiliza quase exclusivamente a convenção de cilindro negativo. Se um médico está acostumado com a convenção de cilindro positivo (comum em algumas escolas brasileiras) e não realiza a transposição matemática correta ao prescrever ou ao ler os dados do aparelho, ele fornecerá uma lente com poder dióptrico totalmente diferente do necessário, resultando em baixa acuidade visual para o paciente.
A transposição é um processo matemático que permite expressar a mesma potência óptica de duas formas diferentes. Os passos são: 1) Somar algebricamente o valor do esférico com o valor do cilindro para obter o novo esférico. 2) Inverter o sinal do cilindro (de + para - ou vice-versa). 3) Girar o eixo em 90 graus (se o eixo original for menor ou igual a 90, soma-se 90; se for maior que 90, subtrai-se 90). No caso da questão, o paciente precisava de +1,50 +2,00 x 180. Transpondo para cilindro negativo: Esférico (1,50 + 2,00 = +3,50), Cilindro (-2,00), Eixo (180 - 90 = 90). Logo, a prescrição correta no Greens é +3,50 -2,00 x 90.
A queda drástica na visão ocorreu porque o residente prescreveu +1,50 -2,00 x 180 quando o correto (transposto) seria +3,50 -2,00 x 90. Ao manter o esférico em +1,50 e apenas mudar o sinal do cilindro sem girar o eixo, ele criou um erro refracional massivo. No meridiano de 180°, o paciente recebeu +1,50D (o que estava correto). No entanto, no meridiano de 90°, o paciente precisava de +3,50D, mas recebeu apenas -0,50D (+1,50 somado ao cilindro de -2,00). Essa diferença de 4,00 dioptrias no meridiano vertical impede a formação de uma imagem nítida na retina, reduzindo a acuidade visual para níveis muito baixos.
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