TGA Neonatal: Conduta na Cianose Refratária

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente recém-nascido, prematuro de 34 semanas, filho de mãe diabética, que apresentou quadro de cianose ao nascimento. Após investigação com ecocardiograma foi observado discordância na conexão entre os ventrículos e as artérias configurando diagnóstico de Transposição das Grandes Artérias. No primeiro dia de vida, apesar do uso otimizado de prostaglandina e drogas vasoativas, o paciente evolui com piora progressiva, saturação de oxigênio de 55%, além de gasometria arterial com acidose metabólica e elevação do lactato. Nesse caso, assinale a alternativa que apresenta a conduta imediata a ser efetuada

Alternativas

  1. A) O paciente deverá ser submetido a valvoplastia pulmonar.
  2. B) O paciente deverá ser submetido a cirurgia de Fontan.
  3. C) Deverá ser realizada atriosseptostomia por balão de Rashkind.
  4. D) Não é indicada a realização de nenhum procedimento até o RN completar 10 dias e o manejo deverá ser apenas otimização de drogas vasoativas.
  5. E) Essa cardiopatia não faz parte do grupo das cardiopatias congênitas cianóticas e deverá ser considerada outras causas para a piora clínica do paciente.

Pérola Clínica

TGA + cianose grave/acidose refratária à prostaglandina → Atriosseptostomia por balão de Rashkind (emergência).

Resumo-Chave

Em recém-nascidos com Transposição das Grandes Artérias (TGA) e cianose grave, hipoxemia e acidose metabólica refratárias à infusão de prostaglandina, a atriosseptostomia por balão de Rashkind é a conduta imediata. Este procedimento cria ou amplia uma comunicação interatrial, permitindo uma melhor mistura sanguínea e estabilizando o paciente até a cirurgia corretiva definitiva.

Contexto Educacional

A Transposição das Grandes Artérias (TGA) é uma das cardiopatias congênitas cianóticas mais comuns e graves, caracterizada pela inversão da origem dos grandes vasos: a aorta emerge do ventrículo direito e a artéria pulmonar do ventrículo esquerdo. Essa anomalia resulta em duas circulações paralelas, onde o sangue oxigenado retorna aos pulmões e o sangue desoxigenado retorna ao corpo, levando a cianose grave e hipoxemia. A sobrevida depende da existência de comunicações entre as circulações (forame oval patente, ducto arterioso patente ou defeito do septo ventricular) que permitam a mistura sanguínea. O manejo inicial do recém-nascido com TGA envolve a infusão de prostaglandina E1 para manter a patência do ducto arterioso, o que permite uma mistura sanguínea e melhora temporariamente a oxigenação. No entanto, em casos de cianose grave, hipoxemia persistente e acidose metabólica progressiva, mesmo com o uso otimizado de prostaglandina, a mistura sanguínea através das comunicações existentes é insuficiente. Nessas situações de instabilidade hemodinâmica e metabólica, a conduta imediata e salvadora é a atriosseptostomia por balão de Rashkind. Este procedimento intervencionista, realizado por cateterismo cardíaco, consiste em criar ou ampliar uma comunicação no septo interatrial, permitindo uma maior mistura de sangue oxigenado e desoxigenado. A atriosseptostomia de Rashkind é uma medida paliativa de emergência que estabiliza o paciente, ganhando tempo para a realização da cirurgia corretiva definitiva (cirurgia de Jatene), que geralmente é realizada nas primeiras semanas de vida.

Perguntas Frequentes

O que é a Transposição das Grandes Artérias (TGA) e por que causa cianose?

A TGA é uma cardiopatia congênita onde a aorta nasce do ventrículo direito e a artéria pulmonar do ventrículo esquerdo, criando duas circulações paralelas. Isso impede a oxigenação adequada do sangue sistêmico, resultando em cianose grave.

Qual o papel da prostaglandina E1 no manejo inicial da TGA?

A prostaglandina E1 é administrada para manter a patência do ducto arterioso, permitindo uma comunicação entre as circulações sistêmica e pulmonar e, assim, uma mistura sanguínea que melhora temporariamente a oxigenação.

Quando a atriosseptostomia por balão de Rashkind é indicada na TGA?

A atriosseptostomia por balão de Rashkind é indicada como procedimento paliativo de emergência em recém-nascidos com TGA que apresentam cianose grave, hipoxemia e acidose metabólica, mesmo com uso otimizado de prostaglandina, para criar ou ampliar o forame oval e melhorar a mistura sanguínea.

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