Transposição das Grandes Artérias: Conduta Imediata no RN Cianótico

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Um recém-nascido a termo com 6 horas de vida encontra-se internado na maternidade, evoluindo com cianose progressiva. É filho de mãe diabética, nasceu com 4.200 Kg, obteve apgar7e8. Ao exame, apresenta regular estado geral e cianose 3+/4+. A saturometria foi de 50% em ar ambiente. Os pulsos estão normopalpáveis, simétricos. Apresenta ainda sopro sistólico suave +/6+ em borda esternal esquerda alta. Foi realizado ecocardiograma, que apresentou transposição simples das grandes artérias (TGA) e comunicação interatrial ampla.Nessa situação, a conduta imediata é

Alternativas

  1. A) realizar atriosseptostomia por balão.
  2. B)  iniciar a administração de prostaglandina.
  3. C)  encaminhar o paciente para cirurgia corretiva.
  4. D) ventilar o paciente com uma FiCh entre 80 a 100%.

Pérola Clínica

RN cianótico + TGA + ducto arterioso fechando → Prostaglandina E1 para manter fluxo pulmonar/sistêmico.

Resumo-Chave

Em recém-nascidos com Transposição das Grandes Artérias (TGA) e cianose progressiva, a conduta imediata é iniciar prostaglandina E1 para manter a permeabilidade do ducto arterioso, essencial para a mistura sanguínea e oxigenação sistêmica até a cirurgia corretiva.

Contexto Educacional

A Transposição das Grandes Artérias (TGA) é a cardiopatia congênita cianótica mais comum no período neonatal, caracterizada pela inversão da origem da aorta e da artéria pulmonar. A aorta nasce do ventrículo direito e a artéria pulmonar do ventrículo esquerdo, criando dois circuitos circulatórios paralelos e independentes. Sem uma comunicação entre esses circuitos (como CIA, CIV ou PCA), a condição é incompatível com a vida, pois o sangue oxigenado não chega à circulação sistêmica e o sangue desoxigenado não é oxigenado nos pulmões. Recém-nascidos com TGA geralmente apresentam cianose grave e progressiva nas primeiras horas ou dias de vida, que não responde à oxigenoterapia. A presença de uma comunicação interatrial ampla, como no caso, permite alguma mistura sanguínea, mas a cianose ainda é proeminente. O ducto arterioso, que normalmente se fecha após o nascimento, é vital na TGA para permitir a mistura de sangue entre as circulações sistêmica e pulmonar. A conduta imediata em um RN com TGA e cianose é a administração de Prostaglandina E1 (alprostadil) para manter a permeabilidade do ducto arterioso. Isso melhora a mistura sanguínea e a oxigenação sistêmica, estabilizando o paciente até que procedimentos adicionais, como a atriosseptostomia por balão (se a comunicação interatrial for restritiva) ou a cirurgia corretiva (switch arterial), possam ser realizados. A cirurgia corretiva é o tratamento definitivo e geralmente é realizada nas primeiras semanas de vida.

Perguntas Frequentes

Por que a prostaglandina E1 é a conduta inicial na Transposição das Grandes Artérias (TGA)?

A prostaglandina E1 é administrada para manter a permeabilidade do ducto arterioso. Na TGA, o ducto arterioso é crucial para permitir a mistura de sangue oxigenado e desoxigenado, melhorando a oxigenação sistêmica e a perfusão pulmonar até que uma intervenção cirúrgica possa ser realizada.

Quais são os sinais clínicos de um recém-nascido com TGA?

Os principais sinais são cianose grave e progressiva que não melhora com oxigênio suplementar, taquipneia, e, em alguns casos, sopro cardíaco. A ausência de desconforto respiratório significativo apesar da cianose profunda é um achado clássico.

Quando a atriosseptostomia por balão é indicada na TGA?

A atriosseptostomia por balão (procedimento de Rashkind) é indicada na TGA quando a mistura sanguínea é inadequada devido a uma comunicação interatrial restritiva, resultando em cianose grave. Ela cria ou amplia uma comunicação interatrial para melhorar a mistura e a oxigenação, sendo um procedimento paliativo antes da cirurgia corretiva.

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