AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2021
RN de 15 dias de vida foi encaminhado ao hospital por apresentar cianose. Ao exame apresenta cianose central e um sopro sistólico de regurgitação audível na borda esternal esquerda irradiado para a borda esternal direita. O eletrocardiograma mostra sobrecarga ventricular esquerda com hemibloqueio anterior esquerdo. Assinale o diagnóstico mais provável:
RN cianótico + sobrecarga VE + HBAE → Transposição das Grandes Artérias (TGA) é o diagnóstico mais provável entre as opções.
A Transposição das Grandes Artérias (TGA) é uma cardiopatia congênita cianótica grave, caracterizada pela inversão da origem dos grandes vasos. A cianose central é o principal sintoma. Embora a sobrecarga ventricular esquerda com hemibloqueio anterior esquerdo no ECG seja mais comumente associada a outras cardiopatias, como o defeito do septo atrioventricular, a TGA é a opção mais provável para um RN com cianose central grave e sopro, podendo haver variações ou associações que justifiquem o achado eletrocardiográfico.
A Transposição das Grandes Artérias (TGA) é uma das cardiopatias congênitas cianóticas mais comuns e graves, representando uma emergência neonatal. Caracteriza-se pela conexão da aorta ao ventrículo direito e da artéria pulmonar ao ventrículo esquerdo, resultando em dois circuitos circulatórios paralelos e incompatíveis com a vida sem comunicações (CIA, CIV, PCA) que permitam a mistura de sangue. O quadro clínico típico é de cianose central grave e progressiva, que se manifesta nas primeiras horas ou dias de vida e não responde à administração de oxigênio. Outros sinais incluem taquipneia, dificuldade alimentar e, dependendo da presença e tamanho das comunicações, pode haver sopros cardíacos. O eletrocardiograma na TGA simples geralmente mostra sobrecarga ventricular direita, mas achados como sobrecarga ventricular esquerda e hemibloqueio anterior esquerdo, embora menos típicos, podem ocorrer em TGA com CIV grande ou outras anomalias associadas, e não devem afastar a principal suspeita diagnóstica em um RN cianótico. O diagnóstico definitivo é feito por ecocardiograma. O tratamento inicial envolve a manutenção da perviedade do ducto arterioso com prostaglandina E1 e, se necessário, atriosseptostomia por balão (procedimento de Rashkind). A correção cirúrgica definitiva (cirurgia de Jatene) é realizada precocemente. O reconhecimento rápido e o manejo adequado são cruciais para a sobrevida desses pacientes.
Os principais sinais são cianose central grave e progressiva, que não melhora com oxigenoterapia, taquipneia, dificuldade para mamar e, em alguns casos, sopro cardíaco (se houver comunicação interatrial ou interventricular).
O ECG na TGA simples geralmente mostra desvio do eixo para a direita e sobrecarga ventricular direita. No entanto, a presença de sobrecarga ventricular esquerda e hemibloqueio anterior esquerdo pode indicar uma TGA com CIV grande ou outras associações, ou ser um achado atípico que não exclui o diagnóstico principal de cianose grave.
Os diagnósticos diferenciais incluem outras cardiopatias congênitas cianóticas (Tetralogia de Fallot, Atresia Tricúspide, Truncus Arteriosus), doenças pulmonares (síndrome do desconforto respiratório, hipertensão pulmonar persistente), sepse e distúrbios metabólicos.
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