Transposição das Grandes Artérias: Diagnóstico e Manejo Neonatal

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022

Enunciado

RN, com duas horas de vida, está taquicardíaco, taquipneico e com SpO₂ = 69% em ar ambiente (sem melhora com oxigênio suplementar). Exame físico: hiperfonese da segunda bulha cardíaca; sem sopros. Radiografia do tórax: trama vascular pulmonar aumentada; estreitamento do mediastino e área cardíaca diminuída. A conduta imediata, mais adequada, é:

Alternativas

  1. A) correção cirúrgica de defeito de septo atrioventricular
  2. B) iniciar tratamento com digoxina
  3. C) valvuloplastiada estenose pulmonar
  4. D) iniciar tratamento com prostaglandina E

Pérola Clínica

RN cianótico refratário O2 + hiperfonese B2 + mediastino estreito (ovo deitado) → TGA → Prostaglandina E.

Resumo-Chave

O quadro clínico de cianose grave refratária ao oxigênio, taquicardia, taquipneia, hiperfonese de B2 sem sopros, e radiografia com trama vascular pulmonar aumentada e mediastino estreito ("ovo deitado") é altamente sugestivo de Transposição das Grandes Artérias (TGA). Nesses casos, a manutenção da perviedade do ducto arterioso com Prostaglandina E é a conduta imediata para garantir o fluxo sanguíneo sistêmico e pulmonar.

Contexto Educacional

A Transposição das Grandes Artérias (TGA) é uma cardiopatia congênita cianótica grave, caracterizada pela inversão da origem dos grandes vasos: a aorta emerge do ventrículo direito e a artéria pulmonar do ventrículo esquerdo. Isso resulta em duas circulações paralelas e independentes, levando a cianose grave e hipoxemia, pois o sangue oxigenado não chega à circulação sistêmica e o sangue desoxigenado não é oxigenado nos pulmões. O diagnóstico é suspeitado em recém-nascidos com cianose intensa e refratária à oxigenoterapia, geralmente nas primeiras horas de vida. O exame físico pode revelar hiperfonese da segunda bulha cardíaca e ausência de sopros significativos. A radiografia de tórax clássica mostra um coração em "ovo deitado" (mediastino estreito) com trama vascular pulmonar aumentada. O ecocardiograma é confirmatório. A conduta imediata é a estabilização do paciente, que inclui a administração de Prostaglandina E1 para manter o ducto arterioso patente, permitindo a mistura de sangue e melhorando a oxigenação. Em alguns casos, pode ser necessária uma atriosseptostomia por balão para criar uma comunicação interatrial. O tratamento definitivo é a correção cirúrgica, geralmente a cirurgia de Jatene (switch arterial), realizada precocemente.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clínicos e radiológicos sugestivos de Transposição das Grandes Artérias (TGA) em um recém-nascido?

Clinicamente, há cianose grave refratária ao oxigênio, taquicardia e taquipneia. Na radiografia de tórax, observa-se trama vascular pulmonar aumentada, estreitamento do mediastino superior (coração em "ovo deitado") e área cardíaca normal ou discretamente aumentada.

Por que a Prostaglandina E1 é a conduta imediata na TGA?

A Prostaglandina E1 é crucial para manter o ducto arterioso patente, permitindo a mistura de sangue oxigenado e desoxigenado entre as circulações sistêmica e pulmonar, o que é vital para a sobrevivência do recém-nascido com TGA até a correção cirúrgica.

Quais são as opções de tratamento definitivo para a TGA?

O tratamento definitivo é cirúrgico, geralmente a cirurgia de Jatene (switch arterial), realizada nas primeiras semanas de vida. Em casos selecionados, pode ser necessária uma atriosseptostomia por balão como ponte para a cirurgia.

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