Transposição das Grandes Artérias: Diagnóstico e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Uma criança nascida de parto cesáreo, a termo, com Apgar 8/9, pesando 3500 g, apresenta, nas primeiras 24 horas de vida, cianose associada com desconforto respiratório. Durante o exame físico, o recém-nascido encontra-se cianótico, taquidispneico (Frequência respiratória = 65 irpm), taquicárdico (Frequência cardíaca = 160 bpm), com retrações subdiafragmáticas e intercostais. A ausculta pulmonar é normal e não é observada a presença de sopro à ausculta cardíaca. A saturação de oxigênio inicial era de 70% antes, passando a 72% após iniciar a oxigenoterapia com FiO2 de 100%. Foi feita a hipótese diagnóstica de cardiopatia congênita, sendo solicitados radiografia de tórax e ecocardiograma. A radiografia de tórax mostrou área cardíaca aparentemen- te sem alterações e aumento da trama pulmonar. O ecocardiograma não pôde ser realizado. A hipótese diagnóstica principal e a conduta terapêutica indicada são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Atresia pulmonar; administração de indometacina para fechamento do canal arterial.
  2. B) Tetralogia de Fallot; administração de indometacina para fechamento do canal arterial.
  3. C) Atresia pulmonar; administração de prostaglandina E para manutenção do canal arterial.
  4. D) Transposição de grandes vasos; administração de indometacina para fechamento do canal arterial patente.
  5. E) Transposição de grandes vasos; administração de prostaglandina E para redução da trama pulmonar.

Pérola Clínica

Cianose neonatal + Teste hiperóxia (-) + Trama vascular ↑ → Transposição de Grandes Vasos.

Resumo-Chave

A TGA é a cardiopatia cianótica mais comum no período neonatal imediato. O teste de hiperóxia negativo confirma a origem cardíaca da cianose por mistura inadequada de sangue.

Contexto Educacional

A Transposição das Grandes Artérias (TGA) representa uma emergência pediátrica onde a aorta se origina do ventrículo direito e a artéria pulmonar do ventrículo esquerdo. Esta configuração cria dois circuitos fechados e independentes. A sobrevivência depende de comunicações (forame oval, CIV ou canal arterial) que permitam a mistura de sangue oxigenado e desoxigenado. Clinicamente, o recém-nascido apresenta cianose progressiva nas primeiras horas de vida, sem melhora com oxigenoterapia. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica e manutenção do canal arterial com infusão contínua de Alprostadil (PGE1). O diagnóstico definitivo é ecocardiográfico, mas a suspeita clínica baseada na hiperóxia negativa e RX de tórax (clássico aspecto de 'ovo deitado') é crucial para o encaminhamento célere.

Perguntas Frequentes

Por que o teste de hiperóxia é negativo na TGA?

Na Transposição das Grandes Artérias (TGA), as circulações sistêmica e pulmonar funcionam em paralelo, e não em série. Mesmo com FiO2 a 100%, o oxigênio que chega aos pulmões não consegue atingir a circulação sistêmica de forma eficaz devido à falta de comunicação adequada entre os circuitos, resultando em um aumento mínimo ou ausente na PaO2 e saturação periférica.

Qual a função da Prostaglandina E1 (PGE1) neste cenário?

A PGE1 é administrada para manter a patência do canal arterial (ductus arteriosus). Em cardiopatias como a TGA, a sobrevivência do neonato depende da mistura de sangue entre os circuitos sistêmico e pulmonar. O canal arterial aberto permite esse 'shunting', melhorando a saturação sistêmica até que o tratamento cirúrgico (como a manobra de Rashkind ou cirurgia de Jatene) seja realizado.

Como diferenciar TGA de causas respiratórias de cianose?

Causas respiratórias geralmente apresentam alterações na ausculta pulmonar, sinais de esforço que melhoram significativamente com oxigênio e radiografia com infiltrados. A TGA apresenta ausculta pulmonar e cardíaca frequentemente normais, cianose refratária ao oxigênio (teste de hiperóxia negativo) e trama vascular pulmonar aumentada ou normal no RX.

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