HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Após realizar a recepção de um recém-nascido do sexo masculino, nascido de uma mãe com 32 anos, primípara, após um pré-natal sem intercorrências, que foi termo (38 semanas e 5 dias), peso de nascimento de 3.400 g, com Apgar de primeiro minuto de 9, e quinto minuto de 10, o médico encaminhou para o alojamento conjunto. Cerca de 8 horas após o nascimento, a equipe de enfermagem informa que o bebê apresentou cansaço excessivo e cianose central intensa durante a mamada, sem melhora após posicionamento ou pausa para repouso. A oximetria de pulso revelou saturação de oxigênio de 75% no membro superior direito (pré-ductal) e 73% nos membros inferiores (pós-ductal). Exame físico revelou bulhas rítmicas normofonéticas, sem sopros evidentes, murmúrio vesicular bilateral preservado e frequência cardíaca de 160 bpm. A criança não apresenta tiragem, nem retração subdiafragmática. Qual a sua conduta e a hipótese diagnóstica mais provável?
Cianose central sem desconforto respiratório no RN → Cardiopatia ducto-dependente → Prostaglandina E1.
A TGA é a cardiopatia cianótica mais comum no período neonatal imediato. A manutenção da patência do canal arterial com PGE1 é vital para garantir a mistura sanguínea e oxigenação sistêmica.
A Transposição das Grandes Artérias (TGA) caracteriza-se pela saída da aorta do ventrículo direito e da artéria pulmonar do ventrículo esquerdo. Fisiopatologicamente, isso cria dois circuitos fechados e paralelos. A sobrevivência pós-natal depende da presença de comunicações entre esses circuitos, como o forame oval patente ou o canal arterial. O quadro clínico clássico é de um recém-nascido a termo, com bom peso, que desenvolve cianose progressiva nas primeiras horas de vida, sem melhora com oxigênio. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica e manutenção da mistura sanguínea. A infusão de Prostaglandina E1 (Alprostadil) é a medida de escolha imediata para evitar o fechamento do ducto arterioso. Em casos de mistura inadequada apesar da PGE1, a atriosseptostomia por balão (procedimento de Rashkind) pode ser necessária como ponte para a cirurgia definitiva.
Na Transposição das Grandes Artérias (TGA), as circulações sistêmica e pulmonar funcionam em paralelo, o que é incompatível com a vida sem uma comunicação. A Prostaglandina E1 (PGE1) mantém o canal arterial aberto, permitindo o 'shunting' ou mistura de sangue oxigenado e desoxigenado, garantindo que o sangue com oxigênio chegue aos tecidos sistêmicos até que a correção cirúrgica (cirurgia de Jatene) possa ser realizada.
A cianose de origem cardíaca, especialmente em cardiopatias como a TGA, costuma apresentar-se como 'cianose feliz': o RN está intensamente cianótico, mas sem sinais de esforço respiratório (tiragens, batimento de asa de nariz). Além disso, o teste da hiperóxia (oferta de O2 a 100%) não resulta em aumento significativo da PaO2 nas cardiopatias cianóticas com shunt direita-esquerda fixo.
A correção cirúrgica definitiva da TGA, a transposição das grandes artérias (cirurgia de Jatene ou 'arterial switch'), deve ser realizada idealmente nas primeiras duas semanas de vida. Isso ocorre porque o ventrículo esquerdo precisa estar preparado para assumir a resistência vascular sistêmica; após esse período, a queda da resistência pulmonar pode levar à desadaptação do VE.
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