UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019
Homem de 64 anos apresenta nódulo hepático de 4,3 cm, no segmento VIII, identificado em tomografia de abdome. AP: ex-etilista (parou há 5 anos), tabagista (50 anos-maço) e cirrótico por álcool. Exames laboratoriais: alfafetoproteína 520 ng/mL. Escore MELD: 18. A melhor conduta para terapêutica curativa é
HCC em cirrótico com lesão única < 5cm e MELD elevado → Transplante hepático é a melhor opção curativa.
O transplante hepático é a terapia curativa de escolha para pacientes com carcinoma hepatocelular (HCC) em estágio inicial (dentro dos critérios de Milão) e cirrose, pois trata tanto o tumor quanto a doença hepática subjacente. Um MELD de 18 indica disfunção hepática significativa, tornando a ressecção cirúrgica mais arriscada e o transplante mais vantajoso.
O carcinoma hepatocelular (HCC) é a complicação mais grave da cirrose hepática e a principal causa de morte em pacientes cirróticos. A incidência de HCC tem aumentado globalmente, tornando seu diagnóstico e manejo um desafio crucial na prática clínica. A identificação precoce de nódulos hepáticos em pacientes de risco, como cirróticos, é fundamental para oferecer opções de tratamento curativo. A alfafetoproteína (AFP) é um biomarcador importante, embora não exclusivo, para a triagem e acompanhamento do HCC. O diagnóstico de HCC é baseado em critérios radiológicos (tomografia ou ressonância com contraste) e, em alguns casos, biópsia. Para pacientes cirróticos, a escolha da terapia curativa depende do estadiamento do tumor (tamanho, número de lesões) e da função hepática subjacente, avaliada por escores como MELD (Model for End-Stage Liver Disease) e Child-Pugh. Lesões únicas menores que 5 cm ou até três lesões menores que 3 cm (critérios de Milão) são consideradas para transplante hepático. O transplante hepático é a melhor opção curativa para pacientes com HCC em estágio inicial e cirrose, pois remove tanto o tumor quanto o fígado doente, prevenindo recorrências e melhorando a sobrevida. Outras opções curativas incluem ressecção cirúrgica (para pacientes com boa função hepática e tumores menores) e ablação por radiofrequência. A quimioembolização (TACE) é uma terapia locorregional paliativa, não curativa. A decisão terapêutica deve ser individualizada e discutida em equipe multidisciplinar.
Os critérios de Milão são amplamente utilizados: uma lesão única de HCC com diâmetro máximo de 5 cm, ou até três lesões, nenhuma com mais de 3 cm de diâmetro. Outros critérios como UCSF ou optn/UNOS também podem ser aplicados.
O transplante hepático trata tanto o carcinoma hepatocelular quanto a doença hepática subjacente (cirrose), que é a principal causa de recorrência e mortalidade pós-ressecção. Em pacientes com disfunção hepática significativa (MELD elevado), a ressecção é associada a maior morbimortalidade.
A alfafetoproteína (AFP) é um marcador tumoral que pode auxiliar no diagnóstico de HCC, especialmente em pacientes com nódulos hepáticos. Níveis elevados, como 520 ng/mL, reforçam a suspeita de HCC e podem influenciar a prioridade na lista de transplante, embora não seja um critério isolado.
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