SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Mulher, 57 anos, submetida, há cerca de quatro anos, à ressecção de neoplasia maligna do ceco. Evolui, há 8 meses, com doença hepática metastática, como única apresentação da doença, sendo indicada, após a terapêutica inicial, a realização de um transplante hepático. Qual deve ser o tipo histológico do tumor primário?
Metástase hepática isolada de Tumor Neuroendócrino (NET) → Indicação seletiva para Transplante Hepático.
O transplante hepático pode ser indicado em metástases de tumores neuroendócrinos bem diferenciados quando a doença extra-hepática está excluída e o tumor primário foi ressecado.
O manejo de metástases hepáticas de tumores neuroendócrinos (NETs) é complexo e exige uma abordagem multidisciplinar. Quando as metástases são irressecáveis e limitadas ao fígado, o transplante hepático surge como uma alternativa curativa ou de controle de longo prazo. Diferente dos carcinomas comuns, a biologia dos NETs permite que a substituição do órgão ofereça benefícios reais de sobrevida. Historicamente, o transplante para câncer era evitado devido à imunossupressão, mas os NETs bem diferenciados (G1/G2) mostram resultados favoráveis. É fundamental que o tumor primário (como o de ceco mencionado na questão) tenha sido tratado e que não haja evidência de doença extra-hepática por exames de imagem sensíveis, como o PET-CT com Gálio-68.
Os critérios mais aceitos são os de Milão: tumor neuroendócrino bem diferenciado (G1 ou G2), tumor primário drenado pelo sistema porta já ressecado, envolvimento hepático inferior a 50%, doença estável por pelo menos 6 meses e idade inferior a 60 anos. O objetivo é o controle da carga tumoral e melhora da sobrevida em casos selecionados onde outras terapias falharam ou não são aplicáveis.
Embora existam protocolos de pesquisa (como os critérios de Oslo) para transplante hepático em adenocarcinoma colorretal metastático, ele ainda não é uma indicação padrão na prática clínica devido às altas taxas de recorrência. O tumor neuroendócrino possui uma biologia mais indolente, o que torna o transplante uma opção terapêutica mais consolidada para metástases hepáticas irressecáveis e exclusivas.
A sobrevida em 5 anos após o transplante hepático para metástases de NET pode chegar a 60-80% em centros especializados, desde que a seleção dos pacientes siga critérios rigorosos. A recorrência ainda é um desafio, mas o transplante oferece uma sobrevida significativamente maior comparada ao tratamento paliativo em casos de doença hepática volumosa e sintomática.
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