Hepatocarcinoma em Cirrose: Quando Indicar Transplante Hepático?

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 55 anos de idade, após apresentar melena, foi submetido à endoscopia digestiva alta que mostrou varizes de esôfago com sinais de sangramento recente. Feito diagnóstico de cirrose por vírus C. O cálculo do escore de Child era de B8 e MELD-Na de 20. A tomografia de abdome demonstrou fígado com superfícies irregulares, diminuído de tamanho, recanalização da veia paraumbilical com nódulos de 3 cm no segmento VII e 2 cm no segmento VI, com realce na fase arterial e lavagem na fase tardia (wash-out), esplenomegalia, varizes perigástricas, periesplênicas e shunt esplenorrenal. Qual é a melhor conduta neste caso?

Alternativas

  1. A) Transplante hepático.
  2. B) Hepatectomia regrada.
  3. C) Hepatectomia não regrada.
  4. D) Quimioterapia exclusiva.

Pérola Clínica

Cirrose + HCC (critérios de Milão) + Child B8 + MELD-Na 20 → Transplante hepático.

Resumo-Chave

Pacientes com cirrose e hepatocarcinoma que se enquadram nos critérios de Milão (nódulos únicos < 5cm ou até 3 nódulos < 3cm) e possuem disfunção hepática significativa (Child B ou C, MELD elevado) têm o transplante hepático como a melhor opção terapêutica, pois trata tanto o tumor quanto a doença hepática subjacente.

Contexto Educacional

O hepatocarcinoma (HCC) é a complicação mais comum da cirrose hepática, sendo a cirrose por vírus C um fator de risco significativo. O diagnóstico precoce é crucial para o sucesso do tratamento, e a vigilância com ultrassonografia é recomendada para pacientes de risco. A decisão terapêutica para HCC em pacientes cirróticos é complexa e depende de múltiplos fatores, incluindo a extensão do tumor, a função hepática (avaliada por Child-Pugh e MELD-Na) e o estado geral do paciente. Neste caso, o paciente apresenta cirrose descompensada (Child B8 e MELD-Na 20) e HCC com nódulos que se enquadram nos critérios de Milão (um nódulo de 3 cm e outro de 2 cm). Os critérios de Milão são internacionalmente aceitos para selecionar pacientes com HCC que terão bom prognóstico após o transplante hepático. A presença de varizes esofágicas com sangramento recente e shunt esplenorrenal reforçam a descompensação da cirrose. A hepatectomia regrada, embora seja uma opção para HCC em pacientes com boa função hepática, é contraindicada em cirróticos com Child B ou C devido ao alto risco de insuficiência hepática pós-operatória. A quimioterapia exclusiva geralmente é reservada para casos avançados ou como terapia paliativa. O transplante hepático, ao substituir o fígado doente, trata tanto a cirrose quanto o HCC, oferecendo a melhor chance de cura e sobrevida a longo prazo para pacientes que preenchem os critérios.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Milão para transplante hepático em hepatocarcinoma?

Os critérios de Milão incluem um único nódulo de hepatocarcinoma com diâmetro igual ou inferior a 5 cm, ou até três nódulos, nenhum deles com diâmetro superior a 3 cm.

Por que o transplante hepático é a melhor conduta neste caso específico?

O paciente apresenta cirrose descompensada (Child B8, MELD-Na 20) e hepatocarcinoma que se enquadra nos critérios de Milão (nódulos de 3 cm e 2 cm). O transplante trata tanto a doença hepática subjacente quanto o tumor, oferecendo a melhor sobrevida.

Quais as limitações da hepatectomia regrada em pacientes cirróticos com HCC?

A hepatectomia regrada em cirróticos é limitada pela reserva funcional hepática. Em pacientes com Child B ou C, o risco de descompensação pós-operatória e insuficiência hepática é muito alto, tornando o transplante uma opção mais segura e eficaz.

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