Cirrose Child-Pugh C: Indicações de Transplante Hepático

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026

Enunciado

Homem de 50 anos, com cirrose hepática Child-Pugh C, apresenta ascite volumosa, encefalopatia e hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas. Após estabilização inicial, qual é a indicação definitiva mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Avaliação para transplante hepático.
  2. B) Beta-bloqueador não seletivo de longa duração.
  3. C) Ligadura endoscópica seriada até erradicação.
  4. D) Derivação porto-sistêmica como tratamento exclusivo e definitivo.

Pérola Clínica

Child-Pugh C + complicações (HDA/ascite/encefalopatia) → Indicação formal de transplante hepático.

Resumo-Chave

Pacientes com cirrose descompensada e pontuação Child-Pugh C apresentam reserva funcional mínima. Após estabilização de eventos agudos, a única terapia que altera o prognóstico a longo prazo é o transplante.

Contexto Educacional

A cirrose hepática representa o estágio final de diversas agressões ao parênquima, caracterizada por fibrose e nódulos de regeneração que distorcem a arquitetura vascular. A classificação de Child-Pugh permanece uma ferramenta clínica essencial para estratificar o risco cirúrgico e o prognóstico global. Quando um paciente atinge o estágio C, a falência sintética e as complicações da hipertensão portal tornam-se dominantes. Neste cenário, o manejo agudo de complicações como a hemorragia digestiva alta (HDA) por varizes esofágicas envolve estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia profilática e terapia endoscópica. Contudo, a recorrência é alta e a mortalidade associada a cada episódio de descompensação é significativa. Portanto, a transição do manejo de suporte para a avaliação de transplante hepático deve ser imediata após a estabilização do quadro agudo, visando a sobrevida a longo prazo do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios da classificação de Child-Pugh?

A classificação de Child-Pugh avalia a gravidade da cirrose hepática baseando-se em cinco parâmetros: bilirrubina total, albumina sérica, RNI (tempo de protrombina), presença de ascite e grau de encefalopatia hepática. Cada parâmetro recebe de 1 a 3 pontos. A classe A (5-6 pontos) indica doença compensada, a classe B (7-9 pontos) indica comprometimento funcional significativo, e a classe C (10-15 pontos) representa a forma mais grave de descompensação hepática, com sobrevida estimada em um ano de apenas 45% sem o transplante.

Quando indicar transplante hepático na cirrose?

O transplante está indicado quando a expectativa de vida com a doença hepática é menor do que a sobrevida pós-transplante. Clinicamente, isso ocorre em pacientes Child-Pugh B ou C, ou naqueles que apresentam complicações graves da hipertensão portal, como hemorragia varicosa recorrente, ascite refratária, peritonite bacteriana espontânea ou encefalopatia hepática persistente. Atualmente, a priorização na lista de espera no Brasil é regida pelo escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease), que utiliza creatinina, bilirrubina e RNI.

Qual o papel do beta-bloqueador na cirrose descompensada?

Os beta-bloqueadores não seletivos (como propranolol ou nadolol) são fundamentais na profilaxia primária e secundária de sangramento por varizes esofágicas, pois reduzem a pressão portal. No entanto, em pacientes com ascite volumosa ou refratária e hipotensão arterial, seu uso deve ser cauteloso devido ao risco de síndrome hepatorrenal. Em um paciente Child C já estabilizado de uma HDA, ele faz parte do manejo clínico, mas não substitui a necessidade de avaliação para transplante, que é o tratamento definitivo.

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