AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024
São indicações de transplante hepático as causas citadas abaixo, EXCETO:
Metástase extra-hepática = Contraindicação absoluta ao transplante de fígado.
O transplante hepático é indicado para doenças hepáticas terminais e tumores primários selecionados; metástases de outros órgãos para o fígado contraindicam o procedimento.
O transplante hepático é o tratamento definitivo para doenças hepáticas em estágio terminal, oferecendo uma chance de cura para condições anteriormente fatais. A seleção de candidatos baseia-se na gravidade da doença, frequentemente avaliada pelo escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease), e na ausência de contraindicações que inviabilizem o sucesso do procedimento. Enquanto a cirrose e doenças genéticas como a atresia biliar são indicações bem estabelecidas, o manejo de neoplasias exige rigorosa avaliação. A exclusão de pacientes com metástases é um princípio fundamental de alocação de órgãos, visando o benefício máximo do enxerto. Embora existam protocolos de pesquisa para metástases colorretais selecionadas, na prática clínica padrão, a doença metastática permanece uma contraindicação absoluta devido ao alto risco de recorrência pós-transplante.
As indicações para transplante hepático dividem-se em quatro grandes grupos: 1) Cirrose hepática avançada de qualquer etiologia (viral, alcoólica, esteato-hepatite) com complicações como ascite refratária, hemorragia varicosa ou encefalopatia; 2) Doenças colestáticas crônicas, como a cirrose biliar primária e a colangite esclerosante; 3) Tumores hepáticos primários, notadamente o carcinoma hepatocelular dentro dos Critérios de Milão; e 4) Insuficiência hepática aguda grave (hepatite fulminante). Em pediatria, a atresia de vias biliares e erros inatos do metabolismo são as causas mais prevalentes.
O transplante hepático em pacientes com doença neoplásica metastática (câncer de outros órgãos que se espalhou para o fígado ou câncer de fígado com disseminação extra-hepática) não é indicado por dois motivos principais. Primeiro, a imunossupressão necessária após o transplante para evitar a rejeição aceleraria drasticamente o crescimento de micrometástases remanescentes. Segundo, o prognóstico de sobrevida a longo prazo nesses casos é muito baixo, o que torna o uso de um órgão escasso injustificável do ponto de vista ético e de alocação de recursos, priorizando pacientes com doença restrita ao órgão.
Os Critérios de Milão são o padrão-ouro para selecionar pacientes com carcinoma hepatocelular (CHC) para transplante hepático. Eles definem que o paciente é um bom candidato se possuir: um único nódulo de até 5 cm ou até três nódulos, cada um com no máximo 3 cm, sem evidência de invasão vascular macroscópica ou doença extra-hepática. Seguir esses critérios garante que o paciente transplantado por câncer tenha uma sobrevida livre de doença e global comparável à de pacientes transplantados por doenças benignas, otimizando o uso dos enxertos disponíveis.
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