UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Mulher, 62 anos de idade, com história prévia de colangite biliar primária, é atendida no ambulatório de hepatologia para acompanhamento de rotina. A biópsia hepática realizada há 2 anos mostrou cirrose. Ela não teve encefalopatia hepática, sangramento por varizes ou ascite. Seus principais sintomas são fadiga, prurido e edema nas pernas. Sua pontuação MELD atual é 18. Qual é a conduta mais adequada?
Paciente cirrótico com MELD ≥ 15 → Encaminhar para avaliação de transplante hepático.
O escore MELD é a ferramenta padrão para priorização na lista de transplante de fígado. Valores acima de 15 indicam que o benefício do transplante supera os riscos do procedimento.
A Colangite Biliar Primária é uma doença autoimune que causa destruição progressiva dos pequenos ductos biliares intra-hepáticos, levando à colestase, fibrose e, eventualmente, cirrose. O tratamento de primeira linha é o ácido ursodesoxicólico (UDCA), mas cerca de 40% dos pacientes não respondem adequadamente. Para estes, ou para aqueles que já se apresentam em estágio de cirrose avançada, o transplante hepático é a única terapia curativa, apresentando excelentes taxas de sobrevida a longo prazo.
O MELD (Model for End-Stage Liver Disease) é um sistema de pontuação numérica que utiliza três exames laboratoriais: Bilirrubina total, Creatinina e RNI (INR). Ele é utilizado para prever a mortalidade em 3 meses de pacientes com doença hepática terminal. No Brasil e em diversos países, o MELD é o critério principal para a alocação de fígados para transplante, garantindo que os pacientes mais graves (com maior pontuação) sejam transplantados primeiro.
As indicações de transplante na Colangite Biliar Primária (CBP) incluem: 1) Cirrose descompensada (ascite refratária, encefalopatia, hemorragia varicosa); 2) Escore MELD ≥ 15; 3) Prurido intratável que não responde a nenhuma terapia medicamentosa; e 4) Bilirrubina total persistentemente acima de 6 mg/dL. No caso clínico, a paciente já possui cirrose estabelecida e um MELD de 18, o que justifica plenamente a avaliação para transplante.
Na fase de cirrose, a CBP manifesta-se com sinais de hipertensão portal e insuficiência hepatocelular. No entanto, sintomas específicos da colestase crônica como fadiga intensa e prurido (coceira) costumam ser muito proeminentes e impactar severamente a qualidade de vida. O edema de membros inferiores, mencionado no caso, reflete a hipoalbuminemia e a retenção hidrossalina secundária à cirrose.
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