Transplante Hepático: Indicações e Particularidades Cirúrgicas

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 60 anos de idade, portador de cirrose hepática por hepatite crônica viral C, está em preparo para transplante hepático. O paciente não apresenta outras comorbidades.\n\nEm relação às causas de insuficiência hepática que podem evoluir para o transplante hepático, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A doença alcoólica do fígado é, mundialmente, a principal causa de cirrose que leva ao transplante hepático.
  2. B) Nos pacientes portadores de cirrose biliar primária é comum a perda progressiva do fígado após o transplante.
  3. C) A derivação biliodigestiva não é usual no transplante em pacientes com colangite esclerosante primária.
  4. D) A reinfecção pelo vírus da hepatite C não está relacionada com o tratamento contra a rejeição aguda do órgão transplantado.

Pérola Clínica

Transplante na Colangite Esclerosante Primária (CEP) → frequentemente requer derivação biliodigestiva (em Y de Roux).

Resumo-Chave

A reconstrução biliar no transplante geralmente é ducto-ducto, mas na CEP, devido ao acometimento inflamatório dos ductos extra-hepáticos, a anastomose é feita no jejuno.

Contexto Educacional

O transplante hepático é o tratamento definitivo para a insuficiência hepática terminal e para o carcinoma hepatocelular dentro dos critérios de Milão. A técnica cirúrgica padrão envolve a anastomose da veia porta, artéria hepática, veias hepáticas (ou cava) e a via biliar. Na Colangite Esclerosante Primária, além do risco aumentado de colangiocarcinoma, a necessidade de derivação biliodigestiva é uma particularidade técnica importante. O sucesso do transplante depende do manejo rigoroso da imunossupressão e da vigilância contra a recorrência da doença de base no enxerto.

Perguntas Frequentes

Por que usar derivação biliodigestiva na Colangite Esclerosante Primária (CEP)?

Na CEP, a doença inflamatória e fibrosante acomete tanto os ductos intra quanto os extra-hepáticos. O ducto biliar nativo do receptor costuma estar doente, o que impede uma anastomose ducto-ducto segura, exigindo uma hepaticojejunostomia em Y de Roux.

A Hepatite C ainda é a maior causa de transplante hepático?

Historicamente sim, mas com o advento dos antivirais de ação direta (DAAs), a incidência de cirrose descompensada por HCV caiu drasticamente. Atualmente, a esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH) e a doença alcoólica estão se tornando as principais indicações.

O que ocorre na reinfecção pelo vírus C pós-transplante?

A reinfecção pelo HCV no enxerto é quase universal se o paciente tiver carga viral detectável no momento do transplante. O tratamento da rejeição aguda com corticoides pode acelerar a replicação viral e a progressão da fibrose no novo fígado.

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