Transplante Hepático na Cirrose Alcoólica: Critérios de Elegibilidade

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Homem, 58 anos de idade, com histórico de etilismo (80 g/dia por 30 anos) e cirrose hepática diagnosticada há 2 anos, apresenta-se ao ambulatório com ascite moderada, asterixis, icterícia e relato de dois episódios prévios de encefalopatia hepática. Faz uso de lactulose. Exames revelam bilirrubina total: 5,4 mg/dL, albumina sérica: 2,2 g/dL, creatinina: 1,6 mg/dL, INR: 2,1, sódio: 127 mEq/L. Ultrassonografia abdominal mostra fígado de contornos irregulares e ausência de nódulos Dentre os seguintes, identifique o fator mais importante que deve ser investigado para confirmar a elegibilidade para transplante hepático:

Alternativas

  1. A) Nível de adesão prévia aos fármacos , incluindo aos diuréticos e à lactulose.
  2. B) Evidências de abuso ativo de álcool, com avaliação psiquiátrica para transtorno de uso de substâncias.
  3. C) Alterações vasculares, como a presença de trombose da veia porta ou hipertensão portal grave.
  4. D) Necessidade de suporte nutricional parenteral devido à desnutrição proteica avançada. Situação-Problema: Questões de 13 a 15. Mulher, 42 anos de idade, previamente saudável, é admitida na unidade de nefrologia com história de fadiga, oligúria e edema de membros inferiores há 2 semanas. Exames revelam creatinina sérica: 4,8mg/dL, proteinúria: 4,5g/dia e hematúria microscópica com cilindros hemáticos. A biópsia renal mostra crescentes em 70% dos glomérulos. Testes sorológicos são positivos para anticorpos anticitoplasma de neutrófilos (ANCA) com padrão perinuclear (p-ANCA) e a paciente apresenta queda no volume urinário nas últimas 24 horas.

Pérola Clínica

Cirrose alcoólica + Transplante → Obrigatório investigar abuso ativo e garantir suporte psicossocial.

Resumo-Chave

A elegibilidade para transplante hepático em pacientes com cirrose alcoólica depende criticamente da cessação do etilismo e de uma avaliação psiquiátrica favorável para evitar recidivas pós-transplante.

Contexto Educacional

O transplante hepático é o tratamento definitivo para a cirrose descompensada. Na etiologia alcoólica, o paciente apresenta desafios específicos. Embora a gravidade clínica (ascite, encefalopatia, icterícia) indique a necessidade do procedimento, a elegibilidade ética e técnica passa pela garantia de que a doença não retornará por abuso de substâncias. O caso descreve um paciente com cirrose Child-Pugh C e MELD elevado, mas com histórico de etilismo pesado. A investigação de abuso ativo e a estabilidade psiquiátrica são os fatores mais importantes para confirmar se ele pode ser listado. Sem a confirmação da abstinência e do suporte social, o risco de perda do enxerto e não adesão pós-operatória é proibitivo.

Perguntas Frequentes

Qual o tempo de abstinência exigido para o transplante?

Tradicionalmente, a maioria dos centros de transplante exige um período mínimo de 6 meses de abstinência documentada (a 'regra dos 6 meses') antes da listagem. Esse período serve para permitir a recuperação espontânea da função hepática e avaliar o compromisso do paciente com a sobriedade.

Por que a avaliação psiquiátrica é fundamental?

O transplante é um recurso escasso. A avaliação psiquiátrica identifica o risco de recidiva do etilismo, a presença de transtornos de personalidade e a rede de apoio sociofamiliar, garantindo que o enxerto tenha a melhor sobrevida possível através da adesão ao tratamento imunossupressor.

O MELD é usado na cirrose alcoólica?

Sim, o escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease), que utiliza bilirrubina, INR, creatinina e sódio, é o critério universal para priorização na fila de transplante, independentemente da etiologia da cirrose, uma vez que o paciente seja considerado elegível.

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