Transplante Hepático na Hepatite C: Desafios e Recorrência

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 52 anos com longa história de hepatite C (HCV) apresenta dor epigástrica vaga e relata perda de peso de 4 quilos nos últimos 4 meses com nível sérico de AFP de 600 mcg/L. A Tomografia Computadorizada (TC) contrastada do abdome mostra múltiplos nódulos no parênquima hepático. Qual das afirmações a seguir é verdadeira em relação à possibilidade de transplante de fígado em paciente com hepatite C crônica?

Alternativas

  1. A) O tratamento pré-operatório com Lamivudina pode diminuir a taxa de recorrência da HCV após o transplante;
  2. B) A HCV é a segunda indicação mais comum para transplante hepático em todo o mundo;
  3. C) A avaliação da pontuação do Modelo para Doença Hepática em Estágio Final (MELD) prevê a mortalidade perioperatória dos receptores de transplante;
  4. D) Pós-transplante, a progressão para cirrose da infecção pelo HCV é mais agressiva do que a infecção original.

Pérola Clínica

Recorrência de HCV pós-transplante é universal e a progressão para cirrose é mais acelerada.

Resumo-Chave

A infecção pelo HCV recorre em quase todos os pacientes transplantados, e a imunossupressão acelera a fibrose, podendo levar à cirrose do enxerto em poucos anos.

Contexto Educacional

A Hepatite C crônica foi, por décadas, a principal indicação de transplante hepático no mundo ocidental, embora a esteato-hepatite metabólica (NASH) e a doença alcoólica estejam ganhando espaço. O caso clínico apresenta um paciente com cirrose por HCV e provável Carcinoma Hepatocelular (CHC), sugerido pela AFP elevada (600 mcg/L) e nódulos hepáticos, o que reforça a indicação de transplante se dentro dos Critérios de Milão. Um ponto crítico na prova de residência é entender que o transplante não cura a infecção sistêmica pelo HCV; o vírus permanece no sangue e infecta o novo fígado quase instantaneamente. Sem o tratamento com DAAs, a história natural no enxerto é marcada por uma evolução acelerada para cirrose. O escore MELD (Model for End-Stage Liver Disease) é utilizado para priorização na fila de transplante baseando-se na mortalidade em lista de espera (3 meses), e não especificamente na mortalidade perioperatória.

Perguntas Frequentes

Por que a Hepatite C é mais agressiva após o transplante?

A agressividade da Hepatite C (HCV) no pós-transplante deve-se principalmente ao uso de terapia imunossupressora necessária para evitar a rejeição do enxerto. A imunossupressão facilita a replicação viral desenfreada, levando a uma progressão da fibrose muito mais rápida do que na história natural da doença em pacientes não transplantados, podendo evoluir para cirrose em menos de 5 anos em alguns casos.

O que é a Hepatite Colestática Fibrosante?

É uma forma grave e acelerada de recorrência do HCV que ocorre em cerca de 5-10% dos pacientes transplantados. Caracteriza-se por níveis muito elevados de carga viral, icterícia progressiva e falência hepática rápida. É uma das complicações mais temidas, pois o prognóstico é reservado sem tratamento antiviral imediato e eficaz.

Como os novos antivirais (DAAs) mudaram o cenário?

A introdução dos Antivirais de Ação Direta (DAAs) revolucionou o transplante para HCV. Atualmente, é possível tratar o paciente antes do transplante para negativar a carga viral ou tratar logo após a cirurgia com altas taxas de cura (SVR > 95%). Isso reduziu drasticamente a necessidade de retransplante por recorrência de HCV e melhorou a sobrevida do enxerto e do paciente.

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