Transplante de Fígado Pediátrico: Contraindicações e Adesão

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2024

Enunciado

Na avaliação pré-operatória de candidatos a transplante de fígado pediátrico por atresia biliar, qual das seguintes afirmativas é verdadeira em relação às contraindicações para o procedimento?

Alternativas

  1. A) A presença de infecção por HIV é uma contraindicação absoluta ao transplante de fígado pediátrico em todos os centros transplantadores.
  2. B) A síndrome hepatopulmonar é uma contraindicação ao transplante de fígado pediátrico quando o PaO2 melhora significativamente com a administração de 100% de oxigênio.
  3. C) A presença de hipertensão portopulmonar com pressões da artéria pulmonar abaixo de 50 mm Hg é uma contraindicação absoluta ao transplante.
  4. D) Trombose venosa portal é uma contraindicação relativa ao transplante de fígado pediátrico, podendo ser superada por meio de enxerto de ponte para a veia mesentérica superior.
  5. E) O compromisso contínuo com a imunossupressão pós-transplante é uma condição crítica e a incapacidade de aderir ao regime de imunossupressores é uma contraindicação ao transplante.

Pérola Clínica

Adesão à imunossupressão pós-transplante é CRÍTICA; falha = contraindicação absoluta.

Resumo-Chave

A adesão rigorosa ao regime de imunossupressão é um pilar fundamental para o sucesso do transplante de fígado. A incapacidade de garantir essa adesão, seja por fatores sociais, psicológicos ou de compreensão, representa uma contraindicação absoluta devido ao alto risco de rejeição e falha do enxerto.

Contexto Educacional

O transplante de fígado pediátrico é um procedimento salvador de vidas para crianças com doença hepática terminal, sendo a atresia biliar a indicação mais comum. A avaliação pré-operatória é complexa e visa identificar pacientes que se beneficiarão do transplante, ao mesmo tempo em que exclui aqueles com contraindicações que tornariam o procedimento de alto risco ou fútil. As contraindicações podem ser absolutas ou relativas. Contraindicações absolutas incluem condições que tornam o transplante inviável ou com prognóstico extremamente desfavorável, como doença maligna extra-hepática não controlada, sepse incontrolável, malformações congênitas graves incompatíveis com a vida ou a incapacidade de aderir ao regime de imunossupressão pós-transplante. A adesão é crucial, pois a não conformidade leva à rejeição do enxerto e à falha do transplante. Contraindicações relativas, como trombose venosa portal extensa ou infecção por HIV bem controlada, podem ser superadas com manejo especializado e avanços técnicos. Condições como a síndrome hepatopulmonar e a hipertensão portopulmonar requerem avaliação cuidadosa; a HPP grave é uma contraindicação absoluta, enquanto a HPP leve a moderada pode ser tratada. A decisão final de transplantar envolve uma análise multidisciplinar rigorosa dos riscos e benefícios para cada paciente.

Perguntas Frequentes

Por que a adesão à imunossupressão é uma contraindicação crítica para o transplante de fígado?

A imunossupressão contínua é vital para prevenir a rejeição do órgão transplantado. A incapacidade de aderir ao regime medicamentoso aumenta drasticamente o risco de rejeição aguda e crônica, falha do enxerto e perda do paciente, tornando a adesão um fator determinante para o sucesso a longo prazo.

A infecção por HIV é sempre uma contraindicação absoluta para transplante de fígado pediátrico?

Não necessariamente. Com os avanços na terapia antirretroviral, o HIV bem controlado não é mais uma contraindicação absoluta em muitos centros, especialmente se a carga viral for indetectável e o paciente estiver clinicamente estável.

Qual a relevância da hipertensão portopulmonar no transplante de fígado?

A hipertensão portopulmonar (HPP) grave (pressões da artéria pulmonar > 50 mmHg) é uma contraindicação absoluta devido ao alto risco de mortalidade perioperatória. A HPP leve a moderada pode ser tratada e reavaliada, mas requer manejo cuidadoso antes do transplante.

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