Densidade Endotelial Mínima para Transplante de Córnea

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019

Enunciado

Qual a mínima densidade endotelial aceita pela maioria dos bancos de olhos no Brasil, para que uma córnea disponibilizada para transplante óptico penetrante seja considerada adequada?

Alternativas

  1. A) 1500 células/mm2
  2. B) 2000 células/mm2
  3. C) 2800 células/mm2
  4. D) 3000 células/mm2

Pérola Clínica

Mínima densidade endotelial para transplante óptico = 2000 células/mm².

Resumo-Chave

A densidade endotelial é o principal preditor da transparência do enxerto a longo prazo. Valores abaixo de 2000 células/mm² aumentam o risco de falência endotelial.

Contexto Educacional

O sucesso do transplante de córnea penetrante depende diretamente da qualidade do tecido doador fornecido pelo Banco de Olhos. A densidade endotelial é o parâmetro quantitativo mais importante, pois as células endoteliais humanas possuem capacidade regenerativa quase nula in vivo. Ao selecionar um enxerto, o cirurgião deve considerar que a perda celular endotelial continua ao longo dos anos após o procedimento. Portanto, iniciar com uma densidade robusta (acima de 2000-2500 células/mm²) é fundamental para garantir a longevidade da transparência corneana, especialmente em pacientes jovens que necessitarão que o enxerto dure várias décadas.

Perguntas Frequentes

Por que a densidade endotelial é crítica no transplante de córnea?

O endotélio corneano é uma camada única de células que não se regeneram. Sua função principal é manter a desidratação relativa da córnea (deturgência) através de bombas metabólicas, garantindo a transparência óptica. Durante e após um transplante, ocorre uma perda fisiológica e cirúrgica de células. Se a densidade inicial for baixa, a córnea atingirá rapidamente o limiar crítico (cerca de 500 células/mm²), resultando em edema irreversível e falência do enxerto.

Qual o padrão de aceitação dos Bancos de Olhos no Brasil?

A maioria dos bancos de olhos no Brasil adota o critério de 2000 células/mm² como o limite inferior para disponibilizar uma córnea para transplante com finalidade óptica (seja penetrante ou lamelar posterior). Córneas com contagens entre 1500 e 2000 células/mm² podem ser utilizadas para transplantes tectônicos (para preservar a integridade do globo ocular) ou em situações específicas, mas não são ideais para restaurar a visão de forma duradoura.

Como é avaliada a qualidade do endotélio do doador?

A avaliação é realizada através da microscopia especular ou biomicroscopia ultrassônica no banco de olhos. Além da densidade celular (células/mm²), avalia-se o polimegetismo (variação no tamanho das células) e o pleomorfismo (variação na forma, idealmente hexagonal). Um endotélio saudável deve apresentar baixa variabilidade celular e alta porcentagem de hexagonalidade, indicando estabilidade metabólica e funcional do tecido doador.

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